Brasil sem propostas para União Europeia e A. Latina

Junho 11, 2015

[caption id="attachment_2050" align="alignleft" width="300"]Chanceleres e presidentes latino-americanos e da União Eropeia encontram-se na sala de reuniões da UE em Bruxelas, 9/6/2015 (Photo by EPA/BGNES) Chanceleres e presidentes latino-americanos e da União Europeia encontram-se na sala de reuniões da UE em Bruxelas, 9/6/2015 (Photo by EPA/BGNES)[/caption]

Enquanto a Operação Lava Jato procura se fortalecer sob a pressão dos advogados de defesa dos denunciados que tentam de tudo para transformá-la numa peça de ficção, o mega escândalo da Petrobrás continua retirando credibilidade e dificultando as iniciativas brasileiras no âmbito internacional. A presidente Dilma Rousseff, fugindo de compromissos internos pelo receio de ser contemplada com novas vaias, estende ao máximo os compromissos externos, mandando recados pela mídia de onde quer que se encontre.  Agora, em Bruxelas, é impressionante a ausência de assunto e de propostas do Brasil que não consegue aproveitar o oceano de oportunidades que se abre nas reuniões da América Latina (AL) e da CELAC (Comissão Econômica da AL e do Caribe) com a União Europeia (UE).

Sem ter o que dizer a presidente brasileira resolveu pedir à UE que apresente, se possível até dezembro, uma proposta para que enfim se concretize o acordo com o Mercosul, mas o ministro das relações exteriores argentino já declarou que nenhum acordo será definido em nome do Bloco por agora. A Chefe da Diplomacia da UE, Federica Magherini, em conversa com Mauro Veira - o chanceler brasileiro -, limitou-se a fazer referência a um futuro acordo com o Mercosul. "Temos esperança de que possamos avançar nas próximas reuniões", disse ela.

Ao mesmo tempo, os demais países se esforçam e conquistam suas vitorias. O Uruguai anunciou, orgulhoso, um "acordo valioso" depois que seu chanceler Rodolfo Nin Novoa fechou um tratado tripartite com a Comissão Europeia para Cooperação Internacional e Desenvolvimento - o primeiro deste tipo firmado pela organização -  que beneficiará os dois lados e um terceiro país que possa receber apoio uruguaio. Muito destaque foi dado em Bruxelas, também, à liberação de visto para nacionais do Peru e da Colômbia que viagem para os 26 países do acordo fronteiriço Schengen (todos da UE à exceção do Reino Unido e Irlanda). Os presidentes Ollanta Humala e Juan Manuel Santos lá estavam sorridentes para as fotos no momento da assinatura.

Santos utilizou o palco privilegiado para propor-se como intermediário para negociações entre o governo e a oposição da Venezuela. Caminho oposto tomou Dilma, que resolveu contrapor-se a uma hipotética decisão de impor sanções ao regime de Maduro, cada vez mais afundado na repressão a seus adversários. O Brasil é o único, fora do estreito círculo bolivariano (numa etapa em que se consolida um consenso continental contra o regime de Maduro), a nunca criticar o regime de Caracas, com isso admitindo a prisão de opositores e a autorização à polícia para fazer fogo contra aqueles que nas ruas enfrentam o governo do herdeiro de Chávez. Para reforçar a imagem do governo do PT como ainda sendo de esquerda, Dilma optou por visitar a Grécia a fim de encontrar-se com o 1º Ministro Alexis Tsipras que mantém dura disputa com a UE e ameaça deixar a zona do euro, mesmo que isso signifique uma provável bancarrota helênica.

Tags: [América Latina, Celac, União Europeia]