Motociclistas lotam as urgências hospitalares

Maio 21, 2015

Enquanto os Detrans capricham na distribuição de pardais a torto e a direito e passam o tempo montando blitzes para multar pacatos cidadãos que tomaram um copo de cerveja durante o jantar, cresce assustadoramente o número de politraumatizados nos pronto socorros médicos de todo o país.

Beneficiadas pelas isenções de tributos patrocinadas pelo governo federal (às custas do contribuinte), as motocicletas caíram no gosto dos brasileiros e, conforme dados do Denatran para o último dia de abril de 2015, já chegam a 19.584.183 ou 22,2% de toda a frota nacional de veículos, aproximando-se celeremente do líder no setor - os automóveis (55% do total). No entanto, as motos são responsáveis pela metade das internações hospitalares por acidentes de trânsito em todo o Brasil. A estes números convém somar 3.686.945 motonetas, veículos mais simples e paradoxalmente tão ou mais perigosos que as motos.

Atualmente, caso o senhor ou a senhora necessitar de atendimento de urgência devido a problemas, p.ex., nos aparelhos digestivo, respiratório, cardíaco, terá dificuldades em conseguir que algum médico lhe dê atenção, pois estão todos ocupadíssimos com os cuidados aos motociclistas, seus caronas e suas vítimas, cada qual mais arrebentado que o outro.  Graças ao crônico subfinanciamento de que padece o Sistema Único de Saúde, o nosso SUS, a oferta de centros de urgência e emergência, assim como de leitos hospitalares, além de não crescer tem sido reduzida em muitos centros urbanos. Em compensação a frota de motos aumentou mais de 180% nos últimos dez anos, contribuindo para que as mortes por acidentes de trânsito no mesmo período dessem um salto de 46%. Em consequência o Brasil ocupa o 5º lugar no mundo em óbitos por esta causa.

Quanto mais séria fica a situação, mais os Detrans da vida se aproveitam para aumentar a própria arrecadação. Sem controle, utilizam o dinheiro das multas para financiar mais patrulhas e para colocar mais pardais nos postes, transformando-se num gigante arrecadatório neste País dos Impostos. Dados divulgados pela Folha dizem que no ano de 2013 a arrecadação com multas de trânsito em São Paulo foi de R$ 1.575,00 por minuto (R$ 828 milhões no ano) e a cada novo exercício os recordes são quebrados. Não há correlação direta entre o dinheiro obtido e o número de acidentes e de mortes evitados e o país não tem tradição de monitorar ou de fazer estudos independentes a respeito do tema. Para a população sobra a conclusão de que foi montado um poderoso esquema com finalidade puramente arrecadatória e que contribui para que nossas ruas e estradas se tornem cada vez mais perigosas. Não por acaso o esquema tem frequentado com assiduidade os registros policiais de corrupção que envolvem principalmente as administrações municipais.

[caption id="attachment_1982" align="alignright" width="260"] Moto em Recife, um veículo familiar (blogs.diariodepernambuco.com.br) Moto em Recife, um veículo familiar (blogs.diariodepernambuco.com.br)[/caption]

Vale, ainda, acrescentar que o problema é mais grave justamente nas regiões mais pobres. As motos hoje respondem por 38,2% da frota nos estados do Nordeste e e do Norte, e por  incríveis 48% no Piauí.

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