Migrantes congelam nas estradas europeias

A interminável crise migratória que assola a Europa constantemente encontra formas para reproduzir suas piores consequências e seus piores crimes, afetando tanto aos países que se negam a receber quem busca uma derradeira ajuda, quanto aqueles que abrem as fronteiras para logo se arrependerem ao não suportar o fluxo crescente dos que, tendo abandonado a terra natal, agora precisam encontrar onde sobreviver.

Traficantes de gente ganham fortunas vendendo um acesso que, para ser concretizado, muitas vezes cobra a própria vida de clientes que, se não nutrem ilusões a respeito do que os espera, não abandonam a esperança porque nada mais lhes resta.

Em agosto de 2015 um caminhão frigorífico da empresa Hiza, uma granja da Eslováquia, foi abandonado numa estrada austríaca perto da fronteira com a Hungria (do governo fascista de Viktor Orbán). Ao invés de galinhas, continha 71 corpos congelados de migrantes oriundos do Iraque, do Afeganistão e da Síria. Ninguém foi responsabilizado, pois a empresa comprovou ter vendido o veículo um ano antes a compradores que não fizeram a transferência de propriedade e sequer mudaram a pintura externa com a propaganda que prometia aos consumidores os melhores frangos do leste europeu.

Melhor sorte tiveram os 41 migrantes encontrados vivos na semana passada em uma estrada de Egnatia ao norte da Grécia, entre as cidades de Xanthi e Komotini, igualmente trancados na carroceria refrigerada de um caminhão. Em princípio a “carga” é constituída por homens e crianças possivelmente de nacionalidade afegã. O motorista, que foi detido, é da Geórgia e um seu comparsa, turco, está desaparecido.

Atualmente a Grécia experimenta uma nova onda de migrantes e mantém cerca de 35 mil deles em condições deploráveis em campos de refugiados nas ilhas em frente à Turquia.

Na casa de Drácula

Na maioria das estradas europeias que dão acesso a países do leste a fiscalização aumentou devido à descoberta de um caminhão de carga transportando … os corpos de 39 migrantes vietnamitas que conseguiram viajar até o condado de Essex.

O condutor do veículo, Mo Robinson, um jovem irlandês do norte foi preso, mas seu percurso completo ainda está sendo buscado. Todos os mortos são adultos de Nge An e da província fronteiriça de Ha Tinh, uma zona agrícola e pobre do norte do Viet Nam. Discriminados na França, os vietnamitas possuem uma numerosa e sólida comunidade na Inglaterra, onde os homens se dedicam à agricultura e ao comércio, enquanto as mulheres podem ser encontradas como manicures e em casas de beleza e estética.

O caminhão, de placa búlgara, rodou por Zeebrugge em Flandres ocidental na Bélgica para entrar em Greys no condado de Essex por Purfleet, conhecida como a terra inglesa do Conde Drácula. É lá que, de acordo com as novelas de Brian Stoker, está localizada Carfax Abbey (a casa de Drácula), próxima a um asilo psiquiárico, onde o famoso conde manteria seus caixões com a preciosa areia da Transilvânia. De Purfleet o caminhão seguiu até a área industrial de Waterglade em Grays, a 15 km de Londres, onde foi abordado pela polícia rodoviária graças a uma estranha denúncia.

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