PPK vence, mas Keiko comanda o Congresso peruano

Em estado de máxima tensão o Peru inteiro (e as Américas também) acompanhou voto a voto o escrutínio, a cargo da respeitada ONPE (Oficina Nacional de Procesos Electorales), das eleições do primeiro domingo de junho de 2016. O quadro permaneceu incerto até o derradeiro momento, na mais acirrada disputa já vista pela América Latina. Todos os números foram metodicamente fornecidos com três decimais para que não pairassem dúvidas. Com 100% das atas processadas, PPK – Pedro Pablo Kuczynski – pelo bloco Peruanos por el Cambio obteve 8.587.060 votos, contra 8.545.927 para Keiko Fujimori do bloco Fuerza Popular. Ou seja: 50,12% x 49,88%. Uma diferença de 41.133 votos ou 0,24%.

Algumas poucas urnas – 74 ou 0,096% do total de 77.037 – não foram contabilizadas por apresentarem notórias irregularidades, sendo encaminhadas ao tribunal eleitoral para conferência, mas já sem possibilidades de alterarem o resultado. Diante de um comparecimento de 18,1 milhões de peruanos, a abstenção (o voto, como no Brasil, é obrigatório) de 19,92% foi superior à verificada na eleição precedente. No Peru a contagem dos votos é manual. Assim mesmo a apuração da eleição de domingo pode ser encerrada nas primeiras horas da 5a. feira imediata.

Os derradeiros votos vieram de áreas e localidades longínquas e dos peruanos que vivem no exterior. A lei determina que para serem contados, devem ser fisicamente entregues aos centros de apuração. Nas urnas oferecidas no Brasil, por exemplo, PPK venceu com 2.993 sufrágios contra 1.889 de Keiko (61,4% x 38,6%).

A recuperação na reta final de PPK foi impressionante, pois há uma semana do pleito amargava uma desvantagem superior a 6%. A virada se deu em função da movimentação popular contrária ao fujimorismo, à definição anti-Keiko da maioria dos indecisos e ao apoio formalmente dado ao economista pela esquerda representada por Verónika Mendoza que ficou em 3º lugar no 1º turno.

Repetindo a derrota sofrida para Ollanta Humala nas eleições anteriores, a jovem Keiko (41 anos) pagou o devido tributo ao sobrenome e ao fato de ter sido, de abril de 1994 a novembro de 2000 no auge da ditadura, a 1a. Dama no governo de Alberto Fujimori, condenado por crimes de lesa-humanidade e corrupção a 25 anos de cadeia. Com sua vitória confirmada, não será fácil a PPK (77 anos) governar, pois o partido de Keiko tem maioria absoluta no Congresso unicameral. Os dois candidatos são de direita e um entendimento em benefício do Peru é possível.

Keiko Fujimori
Keiko Fujimori

 

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