2a. e 3a. feira são dias de trabalho na Venezuela

Sob o argumento de que é preciso economizar energia, o lamentável presidente venezuelano NIcolás Maduro decretou que o funcionalismo público, de ora em diante e até pelo menos 6 de junho, só trabalhará 6 horas por dia nas 2as. e 3as., ficando em casa (ou onde melhor lhe aprouver) de 4a. a domingo.

Os funcionários somam 2 milhões em todo o país, cerca de 1/4 da força de trabalho nacional. Na semana santa já foi decretado feriado integral e ninguém trabalhou dia algum. Também por decreto governamental, os centros comerciais e os hotéis devem ter seus próprios geradores e, ainda assim, os horários de funcionamento costumam estender-se somente até as 19 horas. Cortes de luz e de água são cada vez mais frequentes e em várias regiões do país o racionamento ameaça se tornar permanente. Com os apagões forçados, as cidades venezuelanas à noite estão se transformando em lugares perigosíssimos, sujeitas a um número crescente de assaltos, estupros e crimes de toda ordem, inclusive nas imensas filas que desde a madrugada se formam nas calçadas (e nas garagens, para não serem notadas) de lojas, mercados e farmácias que vendem produtos cada vez mais escassos.

A inflação, segundo o FMI, que foi de 300% em 2015, chegará a 720% este ano. Uma passagem de ônibus que custava 2 bolívares (cerca de R$ 0,70) em 2010, saltou para B$ 20 no final do ano passado, agora já está a B$ 35 e com o novo aumento decidido para novembro próximo chegará a B$ 50.

A Assembléia Nacional dominada pela oposição votou uma moção de desconfiança ao ministro de alimentação, Rodolfo Marco Torre, mas Maduro já informou que além de não obedecer editará uma nova lei que restringirá drasticamente as atribuições do Legislativo.  Enquanto isso, prossegue a coleta de assinaturas para forçar a realilzação de um referendo revogatório do mandato de Maduro. Esta parece ser a verdadeira motivação da diminuição dos dias de trabalho do funcionalismo, dificultando ao máximo a coleta e alongando os prazos legais previstos. Caso o referendo aconteça antes de 15 de janeiro de 2017 convocar-se-ão novas eleições, mas se isso ocorrer depois dessa data quem assumiria seria o vice-presidente, mantendo o chavismo no poder.

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