Sanders e o sistema de saúde norte-americano

Meu irmão, Bernie Sanders, acertou na saúde (My brother has got it right on healthcare) declarou Larry Sanders em texto publicado pelo jornal londrino The Guardian, comentando o tema extremamente sensível do caríssimo e pouco eficaz sistema de saúde dos Estados Unidos da América, posicionando-se em relação à campanha pela indicação do candidato democrata. Os principais pontos analisados por Larry estão expostos a seguir.

Observando a confusão que é o sistema de atenção à saúde nos EUA, devemos enfrentar a privatização do Sistema Nacional de Saúde (do Reino Unido) tão duramente quanto pudermos. Nos EUA a indústria de seguros privados sugou centenas de bilhões de dólares da saúde para cobrir custos indiretos, lucro e despesas administrativas.

O fracasso do sistema é evidente. Milhões receberam cuidados inadequados e milhares morreram desnecessariamente. A expectativa média de vida é inferior à de dúzias de países mais pobres, e mais crianças morreram além de que mais pessoas padeceram de doenças crônicas do que em outros países ricos. As pessoas pagam muitíssimo mais do que em qualquer outra comparável economia, e suas vidas são dominadas pelo medo de ficarem doentes, de serem incapazes de proteger suas crianças, de terem de escolher entre comprar um seguro saúde ou disporem de dinheiro suficiente para poupar ou para custear uma hipoteca. E então, quando desenvolvem enfermidades sérias – em geral porque tratamento precoce não estava disponível – enfrentam encargos financeiros extorsivos. Um milhão de pessoas a cada ano vão à falência devido a débitos com a saúde.

Pergunto: por que tantos votam em políticos, incluindo Hillary Clinton e Ted Cruz, que dizem que os Estados Unidos não podem ter um sistema universal de saúde? Muitas das razões estão em que o sistema fortemente desigual que existe funciona normalmente. Ricos executivos e empresários são capazes de financiar lobbies e eleições.

Bernie Sanders, pré-candidato democrata nos Estados Unidos (4/2016)
Bernie Sanders, pré-candidato democrata nos Estados Unidos (4/2016)

Meu irmão diz que “cuidados à saúde precisam ser reconhecidos como um direito independentemente da renda de cada um. A crença de que a igualdade é profunda na sociedade americana, mas se vê desafiada pela convicção de que o apoio do governo é moralmente perigoso para o indivíduo e uma afronta aos contribuintes cujos impostos sustentam os benefícios gerais.

O Obamacare (o modelo implantado pelo presidente Obama para a saúde) é uma alternativa inadequada. Ajuda algumas pessoas a ter um seguro saúde, mas não assegura a cobertura efetiva: 30 milhões ainda não estão protegidos por cuidados de saúde. Há poucos incentivos para controlar os custos, pois altos preços permitem à indústria privada da saúde obter proporcionalmente maiores ganhos. A redução dos preços aos padrões europeus porderiam economizar mais de 100 bilhões de dólares por ano.

A Academia Nacional de Medicina estima que cuidados desnecessários penalizaram pacientes com bons seguros-saúde em US$ 210 bilhões em 2009. O sistema por inteiro está contaminado por desperdícios semelhantes. É difícil enxergar uma solução que não seja um sistema público, universal e não direcionado para o lucro.

Um verdadeiro sistema universal deveria ser financiado por impostos progressivos, mas sob o Obamacare os custos continuam a ser desproporcionalmente pagos por americanos  e por aqueles que padecem de doenças agudas e crônicas.

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