Eleições na Argentina: o Peronismo vive, mas é Macri o novo presidente

ATUALIZAÇÃO, em 23/11/2015

O engenheiro Mauricio Macri do movimento Cambiemos foi eleito presidente da Argentina com 51,6% dos votos em segundo turno, derrotando ao candidato da situação Daniel Scioli.

É o fim, por ora, do kirchnerismo – uma corrente populista do peronismo (Partido Justicialista) que, no entanto, é majoritária no Congresso e promete azucrinar a vida dos governantes, como fez no passado sempre que o poder ficou com a União Cívica Radical.

De qualquer maneira, a saída de Cristina Kirchner deve significar um ganho imenso para o povo argentino, apesar dos programas sociais que sustentavam boa parte da população pobre do país.

Cristina optou por não concorrer a qualquer cargo, o que lhe retira as imunidades e a sujeita a inevitáveis processos por corrupção e favorecimento a seu grupo político e à sua familia. 

Lula, como se vê na imagem abaixo, foi a Buenos Aires fazer campanha pelo candidato perdedor Daniel Scioli. Isso não bloqueará as relações econômicas entre Brasil e Argentina, mas as relações ideológicas terão de esperar pela saída de Dilma e do PT .

Desde 1946, quando Juan Domingo Perón criou o Partido Justicialista (PJ), a Argentina tem sido governada pelo peronismo, à exceção de 16 anos com quatro presidentes radicais que sem exceção não conseguiram terminar seus mandatos. Atualmente o comando cabe à dinastia Kirchner, iniciada por Néstor em 2003 e continuada por sua esposa Cristina que agora encerra o segundo mandato e se esforça para eleger a filha Alicia como governadora e o filho Máximo como deputado na distante província de Santa Cruz, berço político do kirchnerismo.

Nas eleições deste domingo 25 de outubro, já se sabe que o vencedor será o justicialista Daniel Scioli, 58, atual governador da Província de Buenos Aires que concorre pela “Frente pela Vitória”. Ele é afilhado político de Carlos Ménem, foi vice de Néstor e ex-presidente do PJ. Persiste a dúvida em relação à vitória definitiva no 1º turno, pois para tanto são necessários 40% dos votos mais uma diferença de 10 pontos em relação ao 2º colocado que é o prefeito da cidade de Buenos Aires, Maurício Macri, 56, pela Coalisão Mudemos (“Cambiemos”) considerada de centro-direita, pois tem como base a extinta União Cívica Radical. De acordo com as pesquisas de opinião, até as vésperas do pleito ainda tem pouco menos que os 30% exigidos para ter chance de prosseguir na disputa, algo que se efetivado seria inédito no passado recente argentino.

Fora do páreo o terceiro colocado, o jovem deputado Sérgio Massa, 43, centrista, foi chefe do Gabinete de Ministros de Cristina por um ano e tem como vice o dirigente peronista Gustavo Sáenz.  Caso consiga um percentual significativo de votos poderá ser o responsável por levar o pleito ao 2º turno. Seu principal desafio está em superar o voto útil, uma tendência que pode levar os 23 milhões de eleitores a concentrar seus votos no oposicionista que na hora agá tiver as maiores possibilidades de derrubar o peronismo.

É praticamente impossível impedir que alguém fora do justicialismo consiga governar na Argentina. Numa população de 42,2 milhões de habitantes, o PJ é uma potência com 3,6 milhões de afiliados e comanda 19 das 24 províncias em que se divide o país.  Macri orgulha-se de ter dirigido a capital com apoio de muitos sindicatos peronistas, além de ter feito uma administração em geral bem avaliada.

Daniel Scioli, candidato kirchnerista a presidente da Argentina, recebe visita de Lula em abril de 2015
Daniel Scioli, candidato kirchnerista a presidente da Argentina, recebe visita de Lula em abril de 2015

Diferenças ideológicas não têm grande relevância entre os portenhos, mas, ainda assim, Scioli é visto como de centro-esquerda e seus dois adversários como mais próximos à direita, tudo isso se confundindo no caldo formado pelas bases sindicais do predominante operariado urbano que desde sempre impôs suas vontades sobre o mundo político do país vizinho. Em abril, o ex-presidente brasileiro Lula da Silva foi a Buenos Aires expressar pessoalmente seu apoio a Scioli. Não se espera que, ganhe quem ganhar, haja uma reviravolta em relação ao Mercosul, certamente condenado a aprofundar seu fracasso.

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