Ataque letal ao humor do Charlie Hebdo

Trinta minutos passados das onze da manhã desta 4a. feira, 7 de janeiro de 2015, e no nº 6 da rue Nicolas na Bastilha redatores e caricaturistas discutiam as charges e as matérias para a revista parieiense Charlie Hebdo.

Os homens vestidos de negro colocaram seus capuzes, ergueram as metralhadoras Kalashnikow e atiraram para matar. Gritavam “Allah Akbar” – Deus é Grande , e disparavam de novo. “Nós viemos vingar o Profeta”, explicavam, e tornavam a apertar os gatilhos. Ao final, doze pessoas assassinadas a sangue frio. A desenhista Coco declarou depois que os terroristas falavam um francês perfeito e diziam ser da Al-Qaeda.

Não se tratava de um comando suicida. Completado o serviço agrediram uma mulher tomando-lhe seu automóvel que abandonaram logo adiante, trocando-o por um Renault Clio com o qual desapareceram no rumo norte da capital francesa.

As primeiras informações indicam três homens como sendo os responsáveis pelo mortífero ataque: os irmãos Saïd e Chérif Kouachi, nascidos em Paris em 1980 e 1982, de origem argelina, e Hamyd Mourad, nascido em 1966 de nacionalidade desconhecida. Este último, no entanto, no dia seguinte, entregou-se à polícia, ficando comprovado que não participara do ataque. Saïd recebeu treinamento na Al-Qaeda do Iêmen, como discípulo do Imã Anwar al Awlaki.

Os franceses e o mundo se perguntam o porquê de tal barbárie. Castigar o humor corrosivo praticado pelo Charlie? Que mal faziam seus cartunistas, sem dúvida mestres na sua arte?

O jornal de 16 páginas – em geral  classificado como de estrema esquerda e que criticava acidamente tanto a extrema direita, quanto o Partido Comunista, as hieraquias católica e judaica, o extremismo islâmico e tudo o que lhe parecia tradicional -, ultimamente se reduzira a 60 mil exemplares semanais. O atentado provocou uma grande onda de apoio tanto da mídia quanto dos órgãos governamentais que agora discutem a melhor forma de ajuda. De imediato o jornal Libération emprestou espaço e instrumentos de trabalho aos sobreviventes do Charlie Hebdo. “Não temos um lápis, um vidro de tinta, nada”. O advogado do Charlie, Richard Malka, declarou ao Le Monde que na próxima 4a. feira, em homenagem aos que pereceram, publicarão uma edição de 8 páginas, mas com tiragem de um milhão de exemplares.

No 3º dia (6a. feira) a caça promovida pela polícia francesa localizou os irmãos Kouachi entrincheirados numa gráfica de Dammartin-en Goeley, uma pequena comuna de 6 mil habitantes no Departamento de Sena-e-Marne, 42 km a noroeste de Paris, e na troca de tiros os matou. Um terceiro jihadista – Amedy Coulibaly, 32 anos – cúmplice dos Kouachi e que seria ligado ao Exército Islâmico, foi morto, mas quatro reféns pereceram também. No total dezessete franceses perderam a vida nos eventos relacionados ao Charlie Hebdo.B6wLoAvIEAAMZED

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