Crise na Petrobrás: repercussões internacionais - Um pesadelo (Boletim nº 3 – 27/11/2014)

Novembro 26, 2014

À medida em que avançam as investigações, cada vez mais o povo brasileiro faz duas perguntas básicas: a) quem são, afinal, os verdadeiros corruptores, os milionários diretores das empresas ou as grandes Construtoras que os empregam? – b) se o processo de desmoralização da Petrobrás prosseguir, as empresas construtoras ficarão imunes e continuarão ganhando dinheiro em outros setores, ou seja, a companhia brasileira irá pagar o pato sozinha? O Boletim nº 3 começa com a nota do Business Insider dizendo que a estatal se tornou um pesadelo. Prossegue na mesma toada com um bom resumo da crise pelo espanhol El País que, além disso, faz um Editorial muito forte acusando a empresa de manchar a imagem do país. Por último, expõe o destaque dado no site do mercado de ações de alta tecnologia Nasdaq, usando informações do Financial Times, para as investigações em curso nos Estados Unidos que usa da prerrogativa de poder analisar o comportamento das empresas que negociam em sua Bolsa de Valores. Vale referir que o Ministério Público da Suíça informou que vai colaborar e, por isso, três procuradores brasileiros lá estão para agilizar o repatriamento de US$ 23 milhões das contas de Roberto Costa e US$ 5 milhões das de Alberto Yussef. Existe acordo para repatriamento direto de recursos ilegais depositados naquele país sem necessidade de recorrer à pesada burocracia governamental.

Business Insider Brazil's Massive State-Owned Oil Company Has Become A National Nightmare (LINETTE LOPEZ) In the past five days, 23 powerful Brazilians have been arrested, with even more warrants still outstanding. The country's stock market has become a whipsaw, and its currency, the real, has hit a nine-year low. All of this is due to a far-reaching corruption scandal at one massive company, Petrobras. In the last month the company's stock has fallen by 35%. Petrobras is a $58.9 billion oil and gas company, of which the Brazilian government controls 54%. Five years ago, when the company was growing at a strong clip, it became almost iconic — a fixture in images of Brazil's new self. But in the last few years Brazil's economy has slowed, its star has diminished, and Petrobras itself is, in part, to blame. Now, amid this corruption scandal, it has become a different kind of symbol for the country, a symbol of government corruption, and whether or not the country has developed a system with the capability to clean it up. (Read more: https://www.businessinsider.com/petrobras-is-brazils-shame-2014-11#ixzz3KCnUyDjG) (Gigantesca empresa petrolífera estatal brasileira torna-se um pesadelo nacional Nos últimos 5 dias 23 poderosos brasileiros foram presos e mais ordens são iminentes. A Bolsa de Valores do país tornou-se uma serra que corta para os dois lados e a moeda, o real, enfrenta seu nono ano de baixa. Tudo isso se deve ao grande escândalo de corrupção em uma imponente empresa, a Petrobrás. No ultimo mês os estoques da companhia reduziram-se em 35%. A Petrobrás é uma empresa que vale 58,9 bilhões de dólares, dos quais o governo brasileiro controla 54%. Cinco anos atrás, quando a empresa estava crescendo em ritmo acelerado, tornou-se um ícone do novo orgulho brasileiro. Mas nos últimos anos a economia brasileira caiu, sua estrela esmaeceu e a Petrobrás é, em parte, a culpada. Agora, envolvida neste escândalo de corrupção, transformou-se num tipo diferente de símbolo para o país, um símbolo da corrupção governamental e de sua capacidade de desenvolver um sistema de limpeza.) El País – Madri Corrupção da Petrobras põe o Brasil à beira do precipício (ANTONIO JIMENEZ BARCA São Paulo) O sistema é simples, diabólico e eficaz: um acusado de corrupção reduz sua pena se delatar outros, que por sua vez podem receber o mesmo tratamento, com o que o caso se ramifica ao infinito. É a maneira que o juiz brasileiro Sérgio Moro tem para reconstruir o rastro da bilionária corrupção que domina de cima a baixo a maior empresa pública da América Latina, a Petrobras, e que sacode o país: contratos forjados no valor de bilhões de reais, obras superfaturadas para a construção de refinarias, contas bancárias repentinamente esvaziadas para que não sejam congeladas, arrependidos que fazem acordos após pagar quase 100 milhões de reais, maletas com notas de dinheiro que vêm e vão, jatinhos levando somas estonteantes,um tesoureiro do PT envolvido na trama e intermediários que se entregam após passar dias foragidos da polícia. E, além disso, vários dos maiores empresários do país, todos detidos na mesma carceragem sob a acusação de suborno, dividindo espaço e destino com o delator, Alberto Youssef, que tudo sabe e tudo conta… O sonoro nome que a Polícia Federal deu à última fase da operação, Juízo Final, é sintomático. Tudo no Brasil gira atualmente em torno dessa gigantesca empresa pública e das venenosas revelações que surgem a cada manhã. Há no momento 16 detidos. Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras, e dois diretores de uma empresa fornecedora, que aderiram ao programa de delação premiada, estão sob prisão domiciliar. Os outros 13 (empresários, diretores de empresas, altos executivos, outro ex-diretor da Petrobras e o quarto delator, o doleiro Alberto Youssef) convivem na carceragem da sede da Polícia Federal em Curitiba. Youssef, claro, está numa cela à parte, pois seu advogado não se fia totalmente na preservação da sua integridade física, já que Youssef se tornou o alvo a abater. Todos os envolvidos são acusados de alimentar um esquema ultraconhecido: os altos funcionários da Petrobras recebiam subornos das empresas em troca da concessão de contratos. Figuras marginais andavam para lá e para cá com malas que azeitavam uma máquina que chegou a movimentar mais de 10 bilhões de reais. Ninguém conhece a soma real. As empresas implicadas tinham (e têm) contratos no valor de 60 bilhões de reais. Mas quanto disso ficava pelo caminho? Seriam 10%? Ou 20%? Ou 50%? O ex-diretor Costa e o doleiro Yousseff dizem que os partidos políticos, entre os quais o PT de Lula e Dilma Rousseff, levavam sua parte, que chegava a 3%. A Petrobras, com seus 86.000 funcionários, não é uma empresa qualquer: refina 98% da gasolina consumida no Brasil, mantêm negócios com quase 20.000 empresas que lhe fornecem todos os tipos de produtos e serviços, e é ela própria responsável por um décimo de todos os investimentos feitos no Brasil. Por isso o Governo, nocauteado pela crise, teme não só a repercussão política do caso (há acusações ainda não confirmadas de financiamento ilegal de partidos, entre os quais PT e PSDB), mas também uma eventual ressaca econômica e também social. Das dez maiores empresas de engenharia e construção do país, só duas não estão envolvidas no escândalo da Petrobras. Por isso há quem enxergue um risco concreto de que as principais obras públicas em andamento sejam paralisadas. Ou seja, que o país pare. Foi o que disse na quinta-feira José Costa Neto, presidente da principal empresa elétrica brasileira, a Eletrobras, controlada pelo Governo. (EDITORIAL) Petrobras mancha o Brasil A companhia petroleira protagoniza o pior escândalo financeiro e político desde a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder • Construtoras investigadas despejaram 200 milhões de reais nas eleições 2014 EL PAÍS 22 NOV 2014 O Brasil está enfrentando o que pode ser o pior escândalo financeiro e político desde a chegada do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder em 2003 com Lula como presidente. A rede de corrupção política e empresarial – com ramificações de financiamento ilegal do partido governista – tecida em torno da gigante estatal Petrobrasameaça apequenar o famoso mensalão, que há oito anos trouxe à tona um sistema de compra de votos no Congresso e – mais uma vez – financiamento ilegal do PT. A Petrobras não é uma estatal comum. “A Petrobras é o Brasil e o Brasil é a Petrobras”, gostava de repetir Lula. Sua sucessora, Dilma Rousseff, agora precisa combater em duas difíceis frentes. Em primeiro lugar, como ministra de Minas e Energia do Governo Lula, Dilma ordenou que Petrobras tivesse fornecedores nacionais. Uma medida perfeitamente coerente com o ideário do PT e com o objetivo de criar empregos e ativar a indústria nacional. Mas teve o efeito – inesperado, até prova em contrário – de ser utilizada para engordar uma trama de favores, subornos e comissões ilegais que envolveu pelo menos nove das maiores empresas do Brasil e, até o momento, 85 altos executivos. A segunda frente tem a ver com o fato de Dilma ser agora presidenta, reeleita nas eleições de outubro. As investigações apontam que as empresas investigadas doaram até 62% do orçamento de campanha dos candidatos locais que pediam votos para a presidenta. Note-se que a trama não macula só o Governo. As empresas regaram generosamente com suas contribuições todas as forças em combate. E não só isso. Os principais partidos aparecem, segundo diversos testemunhos perante o juiz, como receptores de polpudas comissões. É como se um derramamento do óleo da Petrobras tivesse manchado o Brasil. www.nasdaq.com/article/US-opens-investigation U.S. Opens Investigation of Brazil's Petrobras -- FT By Dow Jones Business News, November 09, 2014, The U.S. Department of Justice has opened an investigation into Brazilian energy company Petroleo Brasileiro, or Petrobras, the Financial Times reported Sunday, citing people familiar with the matter. (Estados Unidos abrem investigação sobre a brasileira Petrobrás O Departamento de Justiça norte-americano abriu uma investigação a respeito da empresa brasileira, informou o Financial Times do último domingo citando pessoas familiares com o tema).

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