Venezuela em crise e uma Chávez na ONU

Novembro 19, 2014

Uma crescente instabilidade política e uma degradação no valor dos bônus da dívida pública devido à queda de solvência do governo venezuelano foi diagnosticado em informe da Dagong Global Credit Ranking Co, uma prestigiosa analista financeira de Pequim que coopera com a Agência de notícias Xinhua e tem fortes ligações com o governo chinês. A nota prevê uma redução de 2,3% no PIB e uma diminuição na produção petrolífera, num quadro de diminuição dos preços internacionais do barril de óleo. Diz, ainda, que a escalada de riscos econômicos ameaça a estabilidade política que, junto ao aumento da insegurança gera um crescente descontentamento da população e faz prever um difícil quadro futuro. "O governo Maduro intenta estimular a economia com gasto público massivo, o que poderá ter como consequência hiperinflação com recessão, baixo nível de reservas internacionais, desvalorizações e insolvência com maior risco de instabilidade política. O desabastecimento generalizado e a inflação em alta atingiram, ontem (18/11/2014), o grande magazine de roupas finas Zara. O grupo espanhol Inalitex, proprietário da marca Zara&Bershka, foi obrigado pelo governo Maduro a reduzir em 50% o preço de balcão de suas mercadorias. Com isso, filas formadas desde a madrugada às suas portas só não esgotaram os costumes oferecidos porque a direção da Casa decidiu limitar as vendas a cinco peças (duas superiores e duas inferiores) por comprador, mediante a apresentação de identidade pessoal e sob controle dos fiscais do governo.

Não obstante, a Venezuela acaba de ser eleita com 181 votos de um total de 193 Estados como Membro Não Permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. A escolha é válida para os próximos 2 anos a partir de janeiro de 2015. O Conselho tem cinco membros permanentes - Estados Unidos, França, Reino Unido, China e Rússia - mais 10 não permanentes com direito a voto mas não ao veto. Destes, Chile, Chade, Jordânia, Lituânia e Nigéria continuam pois têm mandato por mais um ano, enquanto Malásia, Nova Zelândia, Angola e Espanha foram eleitos junto com a Venezuela.

Segundo recente "Informe Otálvora", que leva o nome do conhecido cientista político venezuelano, o assento do país andino na ONU ao que tudo indica será ocupado por Maria Gabriela Chávez, filha do falecido Hugo Chávez. Por ora o chanceler Elias Jaua a designou como "representante alterna con rango de embajadora" do país perante as Nações Unidas. Isso significa que ela não será a representante máxima venezuelana na ONU, mas substituirá em qualquer circunstância ao chefe da missão diplomática nacional, o historiador chavista Samuel Moncada. Gabriela de 34 anos vem sendo orientada pelos cubanos para a função, apesar de não possuir formação acadêmica nem experiência diplomática, ao contrário de sua irmã Rosa Virginia que tem diploma como licenciada em Relações Internacionais, mas seria menos comprometida ideologicamente com a causa do "socialismo do século XXI. O oficialismo mais duro em Caracas estaria preparando a jovem filha de Chávez como a sua herdeira e a substituta de Nicolás Maduro, cujo desempenho na presidência tem sido visto cada vez mais como desastrado e inconsistente.

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