Putin, isolado em Brisbane, volta para casa

Novembro 16, 2014

Enfaticamente avisado por líderes ocidentais de que terá de arcar com novas sanções caso insista em dividir a Ucrânia apoiando as forças rebeldes em volta de Donetsk, o presidente russo Vladimir Putin foi o primeiro a voltar para casa, abandonando precocemente a Cúpula do G20, que reúne os países mais ricos do mundo em Brisbane, Austrália. Lá está também, embora pouco notada, a brasileira Dilma Rousseff

O czar soviético comentou que tinha muito sono e precisava dormir umas quatro ou cinco horas. O porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov, falando à Agência Reuters, disse: "As nações ocidentais têm imposto sucessivos rounds de sanções a Moscou, acusando- nos de enviar tropas e tanques para apoiar rebeldes pró-Rússia em sua luta para separar-se da Ucrânia. A Rússia nega tais acusações."

O Primeiro-Ministro canadense, Stephen Harper, quebrando o habitual ambiente cortês nos encontros entre os grandes líderes, ao encarar Putin saiu-se com essa: "creio que devo apertar suas mãos, mas tenho uma só coisa a lhe dizer: você precisa sair da Ucrânia."  Putin respondeu que o comentário "was not positive", não assumindo as responsabilidades que lhe cabem num conflito que desde abril último já causou a morte de 4.000 pessoas

As sanções atingem principalmente importações de petróleo, gás e operações bancárias, afetando gente do staff, muito próximas ao presidente, pressionando a economia russa nos principais mercados gloobais. Barack Obama reiterou que os EUA estão na linha de frente da oposição à agressão russa à Ucrânia porque ela é um desafio ao mundo "como nós todos vimos quando da derrubada do vôo da Malalaysian Airlines quando sobrevoava o território dominado pelos rebeldes em 17 de julho, com a perda de 298 vidas." A chanceler alemã Ãngela Merkel enformou que estava considerando sanções financeiras mais pesadas contra indivíduos que fazem negócios com Berlin.

Embora tenha procurado manter um permanente sorriso nos dois dias em que permaneceu em Brisbane, o isolamento de Putin foi nítido desde sua chegada quando foi recebido por um assistente do Ministério da Defesa australiano. A União Europeia reforçou a recomendação de que Moscou deve remover tropas e armas da Ucrânia e pediu uma vez mais aos rebeldes que aceitem um cessar-fogo efetivo e imediato.

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