Restam quatro eleições para 2019 na A. Latina

Com poucas chances de mudanças significativas, pela ordem Guatemala com 2º turno em 16 de agosto; Bolívia, Uruguai e Argentina em outubro vão às urnas para a escolha de novos presidentes. Como escreveu Marcelo Colossi para o site Nodal numa referência à América Central que tem aplicação quase geral: “nada mudou, nem pode mudar. Estas democracias formais são apenas uma troca de administração, de gerente ou capataz.”

No pleito final guatemalteco há claro favoritismo de Sandra Torres, ex-esposa do presidente Alfredo Colom, de quem se divorciou apenas para poder concorrer, que no pleito inicial em junho com grande número de candidatos obteve 25% do total de votos válidos (1.123.000) contra 14% do médico Alejandro Giammattei, que perdeu para os votos nulos, brancos e inválidos que somaram 16%. Ambos são fortemente comprometidos com a direita e com a história recente de corrupção no país. A debilitada esquerda e setores populares, à falta de opção, tendem a votar em Sandra.

Nove fórmulas (chapas) concorrem na Bolívia, onde vence quem obtiver 50% + 1 ou 40% desde que com 10% de vantagem sobre o segundo colocado. As pesquisas conferem uma ligeira vantagem a Evo Morales e Álvaro García Linera que, mesmo derrotados no referendo que lhes proibiu a repetição de suas candidaturas, tentarão o 4º mandato sob o argumento de que não têm como decepcionar o eleitorado. No entanto, as perspectivas não são claras. Segundo as pesquisas o MAS (Movimiento Al Socialismo) está com 37% e tem vantagem apertada em 6 dos 9 departamentos (La Paz, Oruro, Cochabamba, Potosí, Benin e Pando), contra 26% de Carlos Mesa que já foi um bom presidente à sua época e vence em Chuquisaca e Tarija. Em 3º, Óscar Ortíz do movimento Bolivia Dice No pode ser um fator decisivo com seus 9% de intenções de voto vindas de suas bases em Santa Cruz de la Sierra. De maneira geral Evo triunfa na zona rural e periferias, enquanto Mesa tem prestígio nas cidades e entre os bolivianos de classe média. A luta do MAS concentra-se numa vitória no 1º turno que, se não acontecer, pode viabilizar uma corrente contrária a Evo dos que se dizem exaustos com o seu domínio e não desejam permitir que governe por 19 anos consecutivos, mesmo porque pode de novo decidir não sair nunca mais.

No Uruguai, onde não há reeleição, quem substituirá Mujica e Tabaré Vásquez? De um lado, a Frente Ampla que pretende um quarto mandato seguido e vai à disputa com o engenheiro socialista e prefeito de Montevidéu Daniel Martinez; de outro lado os Blancos do Partido Nacional, à direita, repetem o jovem Luis Lacalle Pou, senador e advogado de 45 anos que tem pedigree: é filho do ex-presidente Luis Lacalle Rivera e bisneto de Luis Alberto de Herrera, tradicional figura política uruguaia do século XX. Depois de três meses com empate nas pesquisas eleitorais, em abril a Frente Ampla avantajou-se com 36% dos votos potenciais, versus 29% dos blancos. Segue-se Ernesto Talvi do Partido Colorado que surpreendeu ao derrotar nas prévias ao velho baluarte Julio Maria Sanguinetti (presidente de 85 a 90 e de 95 a 2000, mas antes os Colorados governaram de 1865 a 1919) e agora figura com 9%. O favoritismo é de Martinez que provou ser bom de voto quando, quatro anos atrás, derrotou a Lucia Topolansky, atual vice-presidente da nação e esposa de Mujica, fazendo campanha pela alcaldia capitalina (Montevidéu) sempre com a cuia do mate uruguaio à mão. Também em 14 de outubro haverá um plebiscito para criar a Guarda Militar a fim de atuar na segurança interna (64% dos votantes apóia a proposta).

No mesmo dia do pleito uruguaio fere-se a “guerra” na Argentina. Ah, os argentinos… Peronistas incansáveis, desta feita vão com Alberto Fernández tendo como candidata a vice Cristina Fernández de Kirchner pela Frente de Todos, no desafio ao atual presidente que tenta a reeleição Mauricio Macri da coligação Juntos para el Cambio. Do total de nove duplas c

Cristina Kirchner e Mauricio Macri: peronismo x liberalismo na Argentina

concorrentes cabe destaque, ainda, para o ex-ministro da Economia Roberto Lavagna. As últimas pesquisas dão às três chapas principais, respectivamente, 37,6%, 34,4% e 8,2%. Discute-se, em essência, a crise econômica. Após um ano de recessão, em abril passado Macri teve algum alívio com a autorização do FMI à utilização de parte dos seus recursos, sustando a queda do peso frente ao dólar, com inflação mensal contida nos 2,5%. O desemprego é alto (10%) e o nível de pobreza chega a 32%. A imensa dívida externa com o FMI teve o seu vencimento adiado, mas o peronismo comunicou ao Fundo que do jeito que está o empréstimo de 57 bilhões de dólares concedido no ano passado a Macri é impagável.

Como problema imediato para a situação, as primárias obrigatórias de 11 de agosto indicarão se o eleitorado vai interpretar que Lavagna ou mesmo José Luis Espert, outro candidato de direita, têm chance, desidratando ainda mais a candidatura do atual presidente. Macri tende a melhorar e pode explorar a rejeição popular a Cristina Kirchner. Ele retornou da Cúpula do G20 em Osaka com um trunfo que no curto prazo lhe é precioso: o Acordo de Livre Comércio Mercosul & União Europeia, que poderia elevar o nível de confiança geral na Argentina. (VGP)

1ª Atualização – 13/8/2019

Das quatro eleições previstas para este final de ano na América Latina, o começo neste segundo domingo de agosto foi o pior possível.

No 2º turno, a Guatemala escolheu Alejandro Giammattei de extrema direita (“Já Matei” como é popularmente conhecido), ex-diretor de presídio famoso por suas execuções extrajudiciais, que derrotou a centrista Sandra Torres, ligada ao narcotráfico. Votaram apenas 40% dos eleitores inscritos, num ambiente de descrença geral com os políticos.
Na Argentina, os incansáveis peronistas concederam uma ianlcançável vantagem de 15,6 pontos porcentuais à dupla Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner (não são parentes) nas primárias, superando o atual presidente Mauricio Macri. Eepecula-se que uma das causas para a amplitude da derrota foi o apoio aberto de Bolsonaro, com declarações como a de que “a volta de Cristina Kirchner colocará a Argentina no mesmo caminho da Venezuela”.

Be the first to comment

Deixe seu Comentário

Seu e-mail não será publicado.


*