Coisas de doido

Em seu excelente blog “Amicor” o Prof. Achutti concede espaço para a nota reproduzida a seguir em relação a diagnósticos na área de psiquiatria e que faz lembrar o adágio popular que reza: “doido está, doido fica”, referindo-se às dificuldades da ciência em identificar causas, prosseguimentos e intervenções medicamentosas ou eventualmente cirúrgicas para os males que afetam a capacidade de equilíbrio mental do homem.

Recordo que colegas da área de saúde pública em Minas Gerais (e, certamente, não só lá, pois há muito Brasil escondido por ai) costumavam relatar que, em suas andanças pelos grotões perdidos por aqueles mundos, era bater e valer: ao chegar a uma casa fosse no meio rural fosse mais para as periferias das cidades e vilas, sempre faziam questão de ‘ir entrando’ casa adentro pois não era incomum encontrar, lá no fundo, um doido amarrado em algum cercadinho. A família, ciente de sua incapacidade em lidar com o doente e acreditando que médico algum lhe daria jeito, dizia que para evitar o risco de que o parente se machucasse optava por prendê-lo atado com corda feita com nó firme num lugar onde seus queixumes não pudessem ser bem ouvidos. Então, o trabalho da equipe de saúde terminava se resumindo na tarefa de desamarrar as vítimas, pelo menos livrando-as do cativeiro doméstico. (VGP)

Limites da diagnose médica

Diagnóstico psiquiátrico é “cientificamente insignificante”, descobre estudo

Por , em 9.07.2019

Um novo estudo da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, fez uma descoberta um tanto chocante: depois de examinar o manual que a maioria dos profissionais de psiquiatria utiliza para realizar diagnósticos, concluiu que ele é “cientificamente insignificante” no que se trata de identificar e diferenciar distúrbios mentais./…/

O que os pesquisadores querem dizer com raciocínios diferentes para tomada de decisão e grande sobreposição de sintomas?
Que “diagnósticos frequentes e não críticos relatados como ‘doenças reais’ são de fato feitos com base em inconsistências internas e padrões confusos e contraditórios de critérios amplamente arbitrários”. “O sistema de diagnóstico supõe erroneamente que todo sofrimento resulta de distúrbios e depende fortemente de julgamentos subjetivos sobre o que é normal”, explica Peter Kinderman, da Universidade de Liverpool.
Os pesquisadores acham que a abordagem diagnóstica biomédica em psiquiatria não é adequada ao seu propósito; pelo contrário, é superficial e enganadora.
“Embora os rótulos diagnósticos criem a ilusão de uma explicação, eles são cientificamente insignificantes e podem criar estigma e preconceito. Espero que esses resultados encorajem os profissionais de saúde mental a pensar além dos diagnósticos e considerar outras explicações de sofrimento mental, como trauma e outras experiências de vida adversas”, resume a principal autora do novo estudo, a Dra. Kate Allsopp.
“Talvez seja a hora de pararmos de fingir que os rótulos que soam médicos contribuem com alguma coisa para nossa compreensão das complexas causas do sofrimento humano ou sobre o tipo de ajuda precisamos quando aflitos”, concluiu John Read, da Universidade de East London.
Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica Psychiatry Research. [MedicalXpress]

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