2019: um mundo de crises e de esperanças

2019: um mundo de crises e de esperanças

Num mundo ainda tão cheio de conflitos, onde algumas das maiores potências do ocidente acumulam problemas que parecem insolúveis, as grandes crises humanitárias – tanto as persistentes quanto as que se avizinham – são as que seguem ocupando o primeiro lugar nas preocupações globais. Para 2019 cinco países enfrentam quadros de escassez sumamente críticos, exigindo atenção extrema. No Iêmen, os que não conseguiram abandoná-lo nos últimos seis meses de agravamento de um conflito que já perdura por sete anos enfrentam a debacle da infraestrutura e a fome; no Sudão do Sul, hoje a mais frágil nação do globo, 60% do seu povo sofre com a falta de alimentos e o colapso da economia enquanto 40 grupos distintos se digladiam numa guerra civil que vem desde a independência em 2011; em Mianmar, a ex-Birmânia tomada pelo ópio, os budistas fazem uma limpeza étnica no estado de Rakhine atingindo muçulmanos da etnia Rohingya que aos milhares fogem por terra para Bangladesh; na Síria um novo fluxo de refugiados se forma diante da iminente invasão turca na caça aos curdos; na Venezuela do trágico regime bolivarianista de Nicolás Maduro uma taça de café com leite teve aumentos de 2.152% no último ano e nas ruas o cumprimento habitual passou a ser “quando vais embora?”. Outros casos que se estão tornando cada vez mais críticos são os de Camarões, Etiópia e R.D. do Congo.

A crise dos refugiados na Europa ameaça ter uma recaída na Itália, onde a nova lei de “migração e segurança” do ministro fascista Matteo Salvini, aprovada pelo Parlamento, abole a tradicional proteção humanitária a jovens reconhecidos como vulneráveis ao atingirem a idade de 18 anos, o que abrange pelo menos 11 mil migrantes que não têm como ser expulsos do país e agora ficarão sem qualquer cobertura social e econômica. Enquanto isso, no Reino Unido a insistência da 1ª. Ministra Theresa May para validar seu infeliz Brexit terá um momento decisivo em 29 de março quando se definirá um período de transição até 31/12/2020. Para Donald Trump, 2019 promete ser um ano decisivo. No New York Times, Thomas Friedman diz que Trump “só nos deu destruição, degradação e pura ignorância”. Já a Newsweek na capa da edição de dezembro pergunta se Trump renunciará se sofrer um impeachment e compara o atual período ao final do governo Nixon, afirmando que a beligerância cada vez mais errática de Trump é uma clara demonstração de sua inadequação para a presidência.

As esperanças correm por conta da economia. As previsões do FMI, da OCDE e da ONU são de um crescimento global de 3,5%, sendo de 2,5% para os EUA e 1,9% para a zona do euro. A China, mesmo desacelerando, o PIB crescerá 6,3% e o Brasil, voltando à luta, deverá atingir o patamar de 2,4%. Tudo, desde que o peso argentino e a lira turca se comportem. (VGP)

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