Melhor com a idade

Melhor com a idade

O livro será de fato lançado em 2019, mas desde o final de novembro último a Oxford University já o está disponibilizando no mercado. Prestigiado pelo The New York Times e pela Time Magazine, “Better with Age: the psychology of successful aging” (Melhor com a idade: a psicologia de um envelhecimento de sucesso) tem como autor o professor Alan D. Castel. PhD e professor de psicologia na Universidade da California, Los Angeles, a UCLA.

Ao longo de 236 páginas, o livro propõe-se a ilustrar alguns dos benefícios do envelhecimento. Não se trata de um texto de medicina. Como recomenda J. Diamond, um outro professor da UCLA, é um grande livro sobre um assunto que afeta a cada um de nós, reunindo sugestões práticas, sem apelo a jargões e sem dúvida útil para qualquer um que está empenhado em viver mais e melhor. Embora escrito com foco em leitores norte-americanos que tiveram êxito na vida, procura ser útil a todos, lembrando uma curiosa afirmativa de Albert Einstein: “não tenho qualquer talento em especial. Sou apenas apaixonadamente curioso.”

Em nove capítulos lida com temas como o significado de um envelhecimento de sucesso, felicidade, memória, sabedoria, manter-se esperto, treinamento cerebral. Evita, sempre que possível, perder-se frente a ameaças como o Allzheimer, a demência senil ou a depressão e dá um conselho quanto aos lapsos da memória: esqueça-se disso! E diz: não se preocupe se esquecer de alguma coisa; apenas espere um pouco e ela voltará. É normal que pesoas mais velhas esqueçam ocasionalmente de algo, isso não é uma doença, mesmo porque um dos benefícios do envelhecimento é que podemos esquecer do que não é importante, concenrando-nos apenas no que de fato importa. É normal não lembrar onde está o carro num estacionamento, mas não é normal esquecer que você possui um carro. Faça as coisas passo a passo: primeiro encontre seu automóvel e então lembre como ir para casa: essas são as coisas relevantes a serem lembradas.

A base é caminhar; melhora seu corpo e sua mente. Na verdade, a melhor maneira de reencontrar a fonte da juventude está em uma boa caminhada. Por outro lado, menos, mas melhores amigos reduzem a solidão e realmente conduzem à felicidade. É fato que pessoas idosas tendem a ter menos interação social e frequentar menos círculos do que as pessoas mais jovens (as quais, no entanto, podem ter apenas numerosos amigos no facebook), mas esta diminuição no número total de amigos pode conduzir a um aumento nas amizades de fato importantes.

E não desista de seus projetos. Giuseppe Verdi tentou encerrar sua carreira musical aos 58 anos, logo após compor Aida. Foi persuadido por seus editores a escrever duas óperas mais: Otello aos 74 e Falstaff aos 80, ambas consideradas seus maiores trabalhos. Monet começou a pintar suas famosas Vitórias Regias aos 73 anos e muitos de seus grandes quadros foram pintados quando sofria de uma gradastiva catarata. Outros que produziram geniais obras na velhice: Mark Twain, Alfred Hitchcock, Paul Cézanne, Virginia Woolf.

É preciso combater a solidão, preencher os silêncios, colher os benefícios de um sono regular e, notadamente, dar importãncia à leitura. Mas não a qualquer leitura. Discute-se se a memória tem sido ajudada ou prejudicada pela internet. Em geral a dedicação a palavras cruzadas, a sudokus, costumam ajudar a fazer bem palavras cruzadas e sudokus, mas não a melhorar a inteligência (é o mesmo com jogadores de xadrez ao vivo ou às cegas: com a prática aprendem a jogar xadrez, mas isto não se reflete em sua capacidade, p.ex., em matemática). Para responder à pergunta de se jogos de computador realmente, como seus promotores apregoam, tornam as pessoas mais astutas e inteligentes um estudo do Centro de Longevidade da Universidade de Stanford e do Instituto berlinense Max Plant concluiu que “o consenso deste grupo é que a literatura científica não dá suporte à noção de que softwares tidos como brain-games (jogos mentais) alteram o funcionamenteo neurológico de modo a melhorar a capacidade cognitiva em geral, ou a prevenir o esquecimento e as doenças mentais.” Certa vez Einstein foi inquirido sobre qual a velocidade do som e admitiu que não sabia a resposta precisa, dizendo: “não carrego esta informação em meu cérebro, pois ela está prontamente disponível nos livros.” Hoje em dia, a internet fornece milhões de precisas informações. Para quê, então, memorizá-las? Gaste o seu tempo com o que realmente lhe dá conhecimento útil, e leia bons livros.

Bons hábitos, físicos e mentais, indiscutívelmente são benéficos. Mas, o que dizer dos maus hábitos, como beber, fumar? As teorias sobre os benefícios à saúde do reservatrol trazidos por uma taça de vinho são mais do que reconhecidas. Ao perguntar a pessoas muito idosas o que as fez viver tanto tempo, o autor obteve algumas curiosas respostas: “comi sushi regularmente e sempre dormi bem – fumei um maço de cigarros por dia e permaneci solteirão, sem crianças em volta – tomei diariamente uma latinha de soda do Dr. Pepper (refrigerante tipo coca comum nos EUA) nos últimos 40 anos – é preciso ser atencioso com as pessoas, venerar a Deus e comer um bom pé de porco a cada dia”. Bem, embora inexistam estudos científicos que encorajem as pessoas a regularmente fumar, beber refrigerante ou comer pé de porco todo santo dia, cada um desses indivíduos viveu muito bem por mais de 100 anos…

Serviço: Better with age. The psychiology of successful aging. Alan Castel. US$ 27.95. Oxford University Press. New York, 2019. Em: https://global.oup.com/academic/product/better-with-age-9780190279981?cc=us&lang=en&

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