Crise venezuelana e o jantar de Nicolás e Cilia

Utilizando informações da Organização Internacional para a Migração (OIM) da ONU, a rede Al Jazeera atualiza dados sobre a crise venezuelana.

Uma reação interna é possível? Até aqui a estratégia de poder absoluto montada por Hugo Chávez resiste ao caos que aumenta à sua volta. A essência está na sustentação dos generais ao regime, na corrupção dos altos escalões e na força coercitiva das milícias bolivarianas que em parte (uma parcela permanece na condição de estruturas partidárias paralelas sustentadas com benesses oficiais) se transformaram em pelotões paramilitares fardados. Adicionalmente concorrem para o lamentável estado de coisas a que chegou o país, os erros cometidos pela oposição, a falta de lideranças reais e aguda inoperância da ONU, da OEA e das organizações e lideranças regionais.

Segundo a OIM, 2,3 milhões de venezuelanos hoje vivem fora do país, sendo que 1,6 milhão saiu nos últimos três anos. Colômbia com 870 mil e Peru com 354 mil são os destinos favoritos da massa de refugiados devido à vizinhança e à facilidade conferida por terem o mesmo idioma. Seguem-se Estados Unidos pelo atrativo econômico com 290 mil e, por seus laçoe históricos como pátria-mãe a Espanha com 208 mil. Depois vêm a Argentina (95 mil), Brasil (50 mil), Itália (50 mil), Equador (39,5 mil), México (33 mil), Rep. Dominicana (26 mil), Portugal (25 mil), Canadá (21 mil), Costa Rica (9 mil), Uruguai (9 mil), Bolívia (5 mil), Trinidad (3 mil), Paraguai (0,5 mil), até onde vão os dados disponíveis no Boletim de Migrações da organização.

Enquanto isso a principal riqueza nacional – o petróleo – viu sua produção (1,45 milhão de barris/dia) em agosto último cair ao seu nível mais baixo dos últimos 50 anos.

As fotos publicadas na mídia do casal Nicolás e Cilia Maduro jantando no sofisticado restaurante Nusret do famoso chef Sah Bae em Istambul, onde foram visitar o amigo e também ditador Recep Erdogan, foram vistas como um escárnio à faminta população venezuelana. Acompanhe neste Site, as imagens em vídeo do jantar. Embora com palavras pronunciadas rapidamente e dirigidas apenas à esposa, Maduro faz um comentário alegre – Nos cuida bien la vida, no? / Nos trata bem a vida, não? – enquanto o querido chef (que o recebera com muito carinho na entrada da casa) se esmerava em mostrar seu estilo de cortar a carne e servi-la.

Hoje o governo de Maduro sobrevive com o apoio, cada vez mais envergonhado, de Bolívia, Cuba, Rússia, China e Turquia. Já o estranho presidente norte-americano Donald Trump recomendou um golpe militar para remover Maduro do poder, mas até o The New York Times reclamou, criticando a proposta.

Nicolás e Cilia se divertem.

    

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