O país de Tedros pode agora ter paz

Uma nuvem de esperança cobre  agora a  Etiópia, terra do Diretor-Geral da OMS Tedros Adhanon Gebreyesus, com o desembarque em Adis Abeba de Dawud Ibsa, o líder máximo da Frente Oromo de Liberação – FOL, acompanhado por cerca de 1500 combatentes que estavam banidos do país. “Estou feliz em retornar depois de 26 anos lutando de bases no exterior. Nós seremos parte da nova luta, pela paz, pois agora vemos sinais claros de respeito à justiça”, disse ele ao chegar da vizinha Eritreia. Centenas de milhares de etíopes saíram às ruas, na capital e em toda a provícia de Oromia para recepcioná-los, deixando para o passado uma resistência quase cinquentenária a  um governo considerado ilegítimo e que virou guerra desde a criação em 1971 da FOL que dois anos depois foi oficialmente considerada como sendo uma frente terrorista.

Dawud Ibsa,líder dos Oromos retorna à Etiópia em setembro de 2018 (Imagem You Tube)

A mudança é uma consequência da posse, em abril último, de Abiy Ahmed Ali, o primeiro oromo a ocupar o posto de 1º Ministro da Etiópia. A esse respeito, vide o texto anexo “Etiópia muda etnia no poder”, publicado em 30 de março último neste site. Com 100 milhões de habitantes, 0 2º mais populoso país da África logo após a Nigéria,  a Etiópia é um país multi-racial governado pela Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope – FDRPE, composta por representantes das quatro etnias majoritárias: Oromos que predominam no leste em frente à Somália e Djibouti com 34% dos habitantes; Amharas (abissínios) no centro com 27%; as Nações do Sul onde vivem mais de 40 grupos étnicos, incluindo os Somalis com 6%, e os Tigray situados no norte (fronteira com a Eritréia) com 6%.

Embora sendo uma escassa minoria, os Tigray dominam o governo desde que derrubaram a ditadura comunista de Mengistu Haile Mariam em 1991, dominando o Exército e ocupando os postos-chave na área econômica e na administração pública. Mengistu, por seu turno, derrubara em 1974 ao imperador Haile Selassié, colocando um fim à monarquia salomônica que desde o século XIII regia o país. A participação das demais etnias no governo atual tem sido pró-forma, com membros dirigentes cooptados pelos Tigray que impõem com violência suas regras.

Durante o período – 2012 a 2016 – em que foi Ministro das Relações Exteriores etíope, Tedros Gebreyesus (afastou-se do governo nacional para concorrer ao posto de Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde) apoiou decisivamente a política de radical opressão do governo Tigray contra Oromos e Amharas. Eleito com os votos da União dos Países Africanos, Tedros – no que foi considerado como o pagamento de “dívidas de campanha” – expressou seu apoio a Robert Mugabe pouco antes do ditador ter sido expulso do seu caótico governo do Zimbabwe.

Ao que tudo indica o processo de absorção democrática da FOL significa o término das tensões armadas e a provável vitória dos oromos nas próximas eleições parlamentares de 2020. (VGP)

 

 

Etiópia muda etnia no poder

 

Thousands of Ethiopians hail return of once-banned Oromo group

Supporters celebrate in Addis Ababa as the leadership of the Oromo Liberation Front returns from exile.

5 hours ago

OLF and two other organisations were removed from a list of terror groups earlier this year [Mulugeta Ayene/AP]

Hundreds of thousands of people have gathered in Ethiopia‘s capital to welcome leaders of the Oromo Liberation Front (OLF), the latest members of a formerly-banned rebel group to return home following a string of political reforms in the country.

The jubilant crowd waving OLF flags gathered at Addis Ababa’s Meskel Square on Saturday, where a large concert was held to welcome the group’s leader Dawud Ibsa and others, while similar events were held in Ethiopia’s Oromia region.

 

Prime Minister Abiy Ahmed – who, in April, the first Oromo to hold the post – has introduced a number of reforms since assuming office, as well as overseen the release of jailed dissidents, the unblocking of websites and moves to liberalise the economy.

Long exile

The OLF was founded as a political organization in 1973 to advocate the “right to national self-determination” for the Oromo people, Ethiopia’s largest ethnic group, against what they perceived as the “Abyssinian colonial rule”.

OPINION

Why I’m coming back home to Ethiopia after 16 years in exile

by Mohammed Ademo

The group had a fallout with the ruling Ethiopian People’s Revolutionary Democratic Front (EPRDF) in 1992 and soon began launching armed attacks.

In response, the government banned it and later declared it a terrorist organisation.

The crackdown on OLF deepened resentment among Oromos, whose months of anti-government protests, which also spread to the Amhara region, led to the resignation of former Prime Minister Hailemarian Desalegn earlier this year and his replacement by Abiy.

‘Freedom’

In July, the ban on OLF and two other groups was lifted as part of the prime minister’s efforts to bring back various opposition groups into the Ethiopian politics.

Speaking to Al Jazeera from Addis Ababa, Jawar Mohammed, executive director at Oromia Media Network, called the return of the OLF leadership “a historic day in their nearly 50-year-old struggle”.

“We are in a positive transition now. This day is a significant milestone in Ethiopia’s transition to democracy,” he said, adding that the Oromos have a “vested interest” in keeping the country together.

“It paves the way for a peaceful election within the next two years,” he said.

Several people in the crowd at Meskel Square bore scars incurred during years of Oromo-led anti-government protests.

“I never thought this day would come,” said 27-year-old Arfase Elias, showing the scar from a bullet that hit her left leg 12 years ago during a demonstration in the restive town of Ambo.

“For this flag, I have seen my brothers tortured, dying on the streets. I have seen the sacrifices they had made for freedom,” she said.

Analysts say that with the return of Ibsa, the last bastion of armed struggle in Ethiopia has come to an end.

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