Zimbabwe 2018 – Zanu PF continua no poder

Robert Mnangagwa, presidente eleito do Zimbabwe e Nelson Chamisa, o desafiante do MCD em 8/2018

Hondo! Hondo! Hondo (Guerra na língua shona), bradavam os invasores da fazenda de tabaco, seguidos pelas mulheres que em tom de soprano entoavam: Zim! Zim! Zim, de Zimbabwe. Na noite anterior, em volta do braseiro, a conversa fluía: “Isto aqui já foi um paraíso. Houve tempo em que as terras eram livres, eram nossas e tudo correu bem e em paz até que vieram os ingleses, os brancos, lá por volta de 1880. Deram ao país o nome de Rodésia para homenagear o representante da rainha, e naturalmente já o dono das minas de diamante, o canalha do Cecil Rhodes. Um regime racista que só acabou abaixo de fogo. Nós aqui fizemos a guerra contra o Império e o derrotamos. Mudamos até o nome do país, para Zimbabwe, A Grande Terra das Pedras” (Da obra “Zim, uma aventura no sul da África” – Vitor Gomes Pinto pela Editora Conex).

As esperanças de que o Zimbabwe conseguisse ao menos sinalizar alguma mudança na  estrutura de poder naufragaram quando a justiça eleitoral finalmente declarou os resultados da eleição desse 25 de julho de 2018. Acusações de fraude massiva e de pressão sobre eleitores da oposição foram suficientes apenas para que os votos do vencedor se limitassem a 50,08% do total, ou seja, exato o necessário para impedir um segundo turno. E o Zanu-PF, que derrubou o domínio branco em 1980 para colocar Robert Mugabe numa presidência que terminou perdurando por 37 anos, continuará mandando pelo menos até 2023, quando completará 43 anos no poder.

Não obstante, esta primeira eleição pós-Mugabe é um avanço considerável para o Movimento de Câmbio Democrático – MCD. No Parlamento obteve 60 cadeiras, bem menos que as 145 conquistadas pelo Zanu-PF, mas na disputa pela presidência seu jovem líder, Nelson Chamisa de 40 anos recebeu, pelo menos na contagem oficial que ele vigorosamente contesta, 44,3% dos votos. O vencedor, Robert Mnangagwa de 73 anos, foi revolucionário ao lado de Mugabe e só dele se separou pouco antes da decisão do partido de afastar o velho presidente, considerando que a decisão de colocar a linda esposa Grace para substitui-lo era demais para a já esgotada paciência do país que suportara até mesmo uma absurda inflação diária de 98%, com a famosa nota de cem trilhões de dólares zimbabuanos. (VGP)

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