Trump consegue eleger López Obrador

Por esta Andrés Manuel López Obrador, o AMLO, não esperava. Há trinta anos como candidato permanente a cargos majoritários no México, desde prefeito da capital (cargo que exerceu entre 2000 e 2005) a Presidente da República, acostumado a campanhas bombásticas e derrotas pré-anunciadas, viu suas intenções de voto começarem a subir feito um rojão desde que Donald Trump foi eleito no país vizinho. Rápido no gatilho, tratou de reformular a plataforma eleitoral pelo seu novo partido, o MORENA – Movimento de Regeneração Nacional – fazendo campanha contra três inimigos preferidos: políticos e oficiais corruptos, o atual presidente Peña Nieto e, obviamente, Donald Trump, a quem chama de Fanfarrão Irresponsável.

A eleição mexicana, a exemplo do que ocorre em apenas quatro outros países da América Latina (Venezuela, Honduras, Paraguai e Panamá), tem um único turno e AMLO desta feita conseguiu derrotar com facilidade os dois adversários principais – Ricardo Anaya do Partido Ação Nacional (PAN) e José Antonio Meade do velho Partido Revolucionário Institucional (PRI). Nas eleições presidenciais precedentes, AMLO ficara com 35% dos votos em 2006 e com 31,5% em 2012, sempre reclamando de fraudes que nunca conseguiu comprovar.

AMLO – López Obrador, Presidente do México para o período 2018 a 2024

Liderando a coalizão “Juntos faremos história”, tem uma proposta francamente protecionista, repetindo em praça pública que “vamos gastar tudo o que produzirmos”. E ameaça o presidente norte-americano: “Você terá de respeitar o povo mexicano, terá de respeitas nossos migrantes”. Frente ao discurso de Trump que prevê sobretaxar as exportações de aço e alumínio, AMLO promete fazer o mesmo com produtos como queijos, embutidos, maçãs e uvas. Na guerra comercial que se avizinha, o grande receio do México é que os Estados Unidos onerem de maneira insuportável seus automóveis, além de temer problemas difíceis de contornar nas negociações em torno do Tratado de Livre Comércio da América do Norte que envolve, ainda, o Canadá.

Ferido em seus brios nacionalistas, de um extremo ao outro o México decidiu dar uma resposta apropriada a Trump, elegendo um político anti-sistema, de esquerda e moralmente inatacável. López Obrador é uma unanimidade nos quesitos austeridade e honestidade. Durante seu período como prefeito da Cidade do México, foi e veio do trabalho no mesmo e antigo carrinho Nissan com o qual percorrera o país em campanha. Aumentou o valor das pensões para idosos e mães solteiras, projetos tidos inicialmente como populistas, mas que depois foram corroborados por Peña Nieto.

O grande partido mexicano, o PRI, acaba de completar seu 86º aniversário e, afinal, paga o preço por ter ficado nada menos que 76 anos no poder. Também ficou pelo caminho o PAN que governou entre 2000 e 2012 sem convencer o país de que é uma alternativa melhor. Resta saber o que o novo governo fará para combater os cartéis do crime organizado e do tráfico de drogas cuja violência mantém o povo mexicano num estado de constante terror.

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