Farsa na Venezuela reelege Maduro

Fraude e falsa oposição

A Mesa de la Unidad Democrática – MUD – que congrega as forças opositoras ao chavismo na Venezuela pediu, várias vezes, ao ex-militar e pretenso dissidente do chavismo Henri Falcón, e ao pastor evangélico Javier Bertucci para que desistam de suas candidaturas às eleições deste domingo 20 de maio de 2018, por considerarem que assim estariam coonestando uma eleição que é grosseiramente fraudulenta e que se destina tão somente a conferir outro mandato de seis anos a Nicolás Maduro. Ambos, no entanto, decidiram cumprir seus acordos prévios com o governista PSUV, desobedecendo ao boicote declarado pela oposição. Falcón propõe dolarizar a economia.

Esta mesma estratégia não funcionou nas eleições gerais de 2005, quando o chavismo chegou a ocupar a totalidade das cadeiras no Parlamento, pois só são computados os votos válidos. Votar na Venezuela não é obrigatório e agora pesquisas realizadas esta semana indicam que a grande maioria dos venezuelanos se negam a comparecer nos postos eleitorais por não acreditarem que suas opções, caso não favoreçam a Maduro, serão respeitadas. Mesmo assim, analistas como Javier Corrales da Academia de Artes Amherst de Massachusetts opinam que esta pode ser a última chance de enfrentar o chavismo nas urnas: “se Maduro vencer por uma larga margem usará este fato como uma luz verde para radicalizar ainda mais seu governo, destruindo por completo o setor privado.”

Nicolás Maduro, 55 anos, tomou posse em 2.013 e desde então o país afundou numa crise sem precedentes que o levou à hiperinflação; falta de alimentos e medicamentos; quebra dos sistemas de fornecimento de energia, de água e de transportes públicos, e a altíssimos níveis de violência urbana.

A solidão do tirano

Basta um passeio pelos locais de votação Venezuela afora para constatar que a frequência é baixíssima e inteiramente dominada por apoiadores ideológicos ou compulsórios do bolivarianismo. Mesmo assim, o governo colocou 300 mil soldados e policiais nas ruas, ademais de dar apoio às conhecidas milícias bolivarianas, para “garantir a ordem” no pleito.

Nem a ONU ou a União Europeia, nem organizações regionais como a OEA, reconhecem o pleito que originalmente estava marcado para dezembro deste ano (com posse em janeiro de 2019). Não obstante, o ex-1º Ministro espanhol José Luiz Zapatero ofereceu-se como um observador internacional e chegou a Caracas sendo recebido com honras pelo presidente venezuelano.

Diosdado Cabello, vice-presidente do PSUV, junto a outras 70 autoridades do governo venezuelano, está submetido a sanções por corrupção e lavagem de dinheiro tanto da União Europeia quanto dos EUA que o proíbem de sair do seu país. Frente a uma queda de 15% no PIB, uma inflação de 13.800% para 2018 e impopularidade em torno dos 80%, Maduro conta com o apoio da China, da Rússia e da cúpula militar, além de apostar na elevação internacional dos preços do petróleo, para manter-se à tona.

A participação popular nas eleições, segundo observadores neutros e confirmando as previsões do Instituto Datanalisis, foi inferior a 30% dos 20,5 milhões de eleitores. Maduro ao votar no colégio MIguel Antonio Ceres no bairro de Catia tomou o microfone das mãos de um assessor e “discursou para o povo”, mas não havia ninguém em volta para ouvi-lo ou para aplaudi-lo. Para fugir da solidão, o único remédio é refugiar-se em meio ao núcleo duro do chavismo que hoje representa algo em torno de 20% da população.

Posto eleitoral do colégio Manuel Palacios Fajardo, um dos principais de Caracas, vazio às 10 horas da manhã, à espera de pelo menos um eleitor.

Resultado final

Com uma abstenção de 52% dos eleitores, a maior de toda a história democrática venezuelana iniciada em 1958, Nicolás Maduro confirmou o que todos já sabiam, reelegendo-se Presidente.

O ex-motorneiro de veículos do metrô de Caracas obteve 5.823.728 votos, o equivalente a 68% dos que foram às urnas, o equivalente a 28,4% do total de eleitores inscritos, correspondendo à força efetiva do chavismo com uma pequena proporção de apoiadores provenientes da população de mais baixa renda dependente dos programas sociais do governo. Seu principal oponente, Henri Falcón, limitou-se a 1,8 milhão de sufrágios: 21,2% dos votantes (8,9% do total) que ao furar o boicote declarado pela verdadeira oposição acabaram dando ao bolivarianismo a justificativa de que percisava para prosseguir no comando político da nação.

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