Gasolina fora de controle

Trem de peregrinos deixando a cidade de Em Mathura, na Índia, o transporte é, de fato, solidário (Credit Image: © Xinhua/ZUMApress.com)

Você é proprietário de um automóvel ou de um veículo qualquer para uso pessoal ou coletivo? Pois saiba que no Brasil isto o transforma na vítima preferida para o fisco, para os impostos, para as políticas de trânsito e para todas as empresas e instituições que de uma maneira ou outra vivem do dinheiro arrecadado com a venda de combustíveis.

Já sei: você vai repetir que o Inimigo Público Número Um continua sendo o Detran (e em muitos casos também o DER), pois é o único órgão que tem a capacidade de decretar a falência imediata de seus “clientes” ao aplicar multas de maneira indiscriminada e sem o menor comprometimento com a proporcionalidade entre o crime e o castigo, ou seja, entre a penalidade e a eventual gravidade da falta cometida (agora já prendem quem tomou um copo de cerveja e, dependendo do humor do Todo Poderoso guardinha de trânsito, obrigando-o a dividir suas “confortáveis” celas com meliantes da pior espécie).

Petrobrás e sua gangorra

Que nada. O Brasil é o pais das invenções em termos de políticas públicas, com razão consideradas como entre as mais daninhas do universo. Pois agora e desde julho do ano passado há um concorrente de peso nesse ranking. É a Petrobrás, aquela estatal que luta para livrar-se da falência causada exatamente por seus diretores e por seus responsáveis na estrutura estatal. Chorando as mágoas, o novo e (naturalmente) ilibado presidente da empresa dedica-se a aumentar o faturamento, acreditando que assim está tirando o pé do barro ou, na linguagem da tecnocracia, recuperando ativos e pagando passivos para contornar os prejuízos que derrubaram violentamente as cotações das ações nas bolsas de todo o mundo. O problema é que resolveu fazê-lo não segundo modos inovadores de gerência ou empregando tecnologias de primeiro mundo. e sim da maneira mais tradicional possível: esfolando os consumidores, tirando dinheiro dos proprietários de veículos motorizados que, como todos sabem, não têm culpa alguma em relação aos descalabros que afetaram a Estatal nem têm qualquer participação na calamitosa onda de corrupção que ainda assola tanto a empresa quanto o país inteiro.

A nova tática está sendo aplicada desde 3 de julho de 2017 e se traduz em reajustes diários de preços dos combustíveis vendidos nas refinarias. De acordo com a estatal, a ideia da nova “política” de preços é repassar as variações do dólar e do petróleo no mercado internacional e, com isso, “competir de maneira mais ágil e eficiente”. Pouco antes, quando a cotação do óleo nos mercados globais desabou em queda livre, ao invés de repassar o deságio para os consumidores brasileiros manteve intactos os preços cobrados nas refinarias e, em consequência, nas bombas que ofertam gasolina e diesel ao público, obtendo com isso mais lucros do que nunca com a finalidade de reencher seus cofres, numa “política” – esta sim real – de recuperar os próprios prejuízos, esquecendo dos prejuízos acumulados pelos compradores de seus produtos.

Duas outras informações passaram a circular na mídia nacional, visando distrair a atenção de quem é obrigado a completar o tanque do carro a cada dia ou a cada semana: de um lado, a Petrobrás não mais informa o percentual dos reajustes, e sim o preço daquilo que vende nas refinarias; de outro lado destaca que os preços podem subir ou baixar numa gangorra que obedeceria ao que se passa nos mercados internacionais. “Não se preocupe”, dizem os Executivos setoriais, “a gasolina subiu hoje, mas amanhã vai ou pode baixar e assim sucessivamente”.

Abaixo se reproduz texto e respectivos gráficos publicados pela Gazeta do Povo informando que “a gasolina vendida no Brasil é a 2a. mais cara do mundo”. Em média o preço ao consumidor final é de US$ 1.05, mas aqui é de US$ 1.34. Tanto na Rússia quanto nos Estados Unidos é de US$ 0.62 0 litro. Alguns anos atrás, em visita a Washington, abasteci o carro alugado num posto que me cobrou US$ 0.90 pelo litro. Desde então diminuiu o preço, pois lá ganhos externos como a baixa na cotação do barril do petróleo são de fato repassados ao cliente final.

Em reportagem de 6/5/2018 o Correio Braziliense (“Semana será de mais aumento no preço da gasolina”) relata que “desde julho de 2017 a gasolina já ficou 38,4% mais cara. A justificativa da empresa é de a cotação do petróleo subiu no exterior e o dólar rompeu a casa dos R$ 3,50”. A inflação oficial de 2017 foi de 2,95%. Entre julho de 2017 e maio d 2018 chegou aproximadamente a irrisórios 2,76%. Com razão o cidadão médio brasileiro reclama que a inflação oficial não corresponde à real, exatamente porque os preços controlados pelo governo em seus diversos níveis (incluindo impostos, taxa, valores de multas e gastos que na prática são compulsórios como é o caso da gasolina ou das apostas na megasena com suas promessas de prêmios bilionários) extrapolam e desequilibram os orçamentos familiares.

Na composição do preço final da gasolina a Petrobrás com 28% do total não é o ator dominante, embora exerça influência decisiva sobre os demais fatores: ICMS (estadual) 29% – Distribuição e revenda 14% – Impostos federais 16% (CIDE, PIS/Pasep. Cofins) e curiosamente o Etanol com 13% pois é adicionado na proporção de 27% à gasolina, na prática jogando para a população os custos daquela que já foi a mais inovadora estratégia tupiniquim no campo dos combustíveis renováveis.

Preço da gasolina no Brasil e no mundo

Gasolina vendida no Brasil é a 2ª mais cara do mundo. Entre os 15 maiores produtores de petróleo, Brasil só perde para Noruega no alto preço do combustível. Carga tributária e monopólio da Petrobras são algumas das causas (Fonte: A Gazeta do Povo – Curitiba).

Preço de um litro, em dólares

O preço da Gasolina nos 15 maiores
produtores e nos países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)

 

Be the first to comment

Deixe seu Comentário

Seu e-mail não será publicado.


*