América Latina 2018: Economia entre o Panamá e a Venezuela

Na véspera da eleição de 6/12, em todo o país fotos gigantes do presidente Nicolás Maduro “observam” o povo venezuelano
Rafael Correa, ex-presidente do Equador

Segundo a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), a previsão para o ano corrente é de que o PIB da região crescerá em torno de 2,2%, com extremos localizados no Panamá com 5,6% positivos e Venezuela com 5% negativos, mas com estimativas outras, como as do FMI, de -15%.

O resultado global cercado de um contido otimismo se baseia no desempenho da maior economia regional, o Brasil, que também atingiria o patamar de 2,2%, praticamente o mesmo previsto para o México. Alguns países devem experimentar uma fase de melhoria mais acelerada como é o caso do Peru (3,5%), Chile (3,3%) e Colômbia (2,6%).

Melhor é a situação da América Central, onde o Panamá lidera as estimativas latino-americanas com uma perspectiva de expansão econômica da ordem de 5,6%, secundado pela República Dominicana e Nicarágua, ambas com 5%.

O caso mais curioso é o do Peru, onde uma tremenda crise política não parece ter afetado sua economia que já vinha em trajetória ascendente,  agora mantida. Após governar por apenas 20 meses, Pedro Pablo Kuczynski, o PPK, viu-se forçado a renunciar na onda de escândalos que o ligaram ao recebimento de propinas da Odebrecht. Em 23 de março último assumiu o vice, o engenheiro Martín Vizcarra de 55 anos para terminar o mandato da chapa que se estende até 2021. Atualmente, o Peru é o 4º país da América do Sul em valores de exportações, atrás de Brasil, Argentina e Chile.

Alguns países merecem enfoques específicos.

Para o Brasil, o FMI atualizou suas previsões estimando crescimentos de 2,3% em 2018 e 2,5% no ano seguinte, em função do aporte de novas inversões e maior consumo das famílias. A inflação de 2017 – de magros 3,4% – e que deve se manter em 18 e 19 foi a mais baixa das últimas duas décadas. A colheita de soja alcançou um recorde de 115 milhões de toneladas na temporada 2017/18 (114 milhões no ano precedente) e a produção total de grãos alcançou as 230 milhões de toneladas. As informações são relevantes se considerarmos que em 2-15 e 2016 a economia brasileira sofreu contrações anuais de 3,5% (mas chegou a 1,1% positivos em 2017). Espera-se, paralelamente, que aconteça a redução do enorme desemprego com  aumento da renda média dos trabalhadores e do crédito disponível no mercado.

Na Colômbia, a discussão está em boa parte concentrada em torno das propostas de reforma do sistema de aposentadorias. A Asofondos que congrega administradores de Fundos de Pensão, apresentou projeto que não muda os atuais limites de idade que são de 57 anos para as mulheres e 62 anos para os homens. Seu presidente, Santiago Montenegro, argumenta com os elevados índices de informalidade em um país com uma força laboral de 22 milhões de pessoas no qual somente 7 milhões estão no setor formal da economia, contribuindo com a Seguridade Social. Daí resulta um regime sufocado no qual para cada dois contribuintes há um aposentado.

Já no Equador, o todo poderoso Rafael Correa (uma es´pécie de Lula equatoriano), padrinho político e antecessor do atual presidente Lenín Moreno, está sendo alvo da Controladoria Geral da União que constatou irregularidades no trato da dívida externa no seu governo nos últimos cinco anos, quando ele teria mantido em reserva e em segredo vendas antecipadas de petróleo (a maior riqueza do país) excluindo-as dos cálculos da dívida pública.  Enquanto isso o governo atual efetivou a demissão de nada menos que mil servidores públicos, ocupantes de altos cargos em empresas públicas no bojo de um plano de reestruturação das contas federais. A intenção é reduzir gastos da máquina administrativa, mas segundo as autoridades o Estado pagará as indenizações devidas. Ainda como parte do plano, os Ministérios serão reduzidos de 27 para 22, diversas agências e empresas públicas devem ser eliminadas, ademais da fusão prevista entre as potentes Petroecuador e Petroamazonas.

O destaque recebido pelo México se deve à explosão dos chamados delitos econômicos relacionados às suas maiores empresas, devidos a apropriações indevidas de ativos, suborno e corrupção, além de fraudes cometidas pelos consumidores. Enquanto isso, o Chile atravessa uma fase de forte expansão econômica (4% ao ano, a maior do período recente) em função de melhoras no setor de mineração.

O Panamá, pequeno país centro-americano, beneficiou-se enormemente pela pacífica transferência da administração do Canal do Panamá que, construído em 1914, foi nacionalizado em 1999. Sua capital, com razão considerada a Dubai das Américas (inclusive pelo forte calor que reina o ano todo), às margens do oceano Pacífico, com 2 milhões de habitantes em sua área metropolitana (metade do país), paraíso fiscal de baixos impostos assistiu de camarote ao boom da economia chinesa  crescendo na última década à impressionante taxa de cerca de 8,5% ao ano segundo o FMI. O resultado foi o surgimento de um verdadeiro parque de mega edifícios em seus bairros centrais de Punta Pacífica e Punta Pricilla. No último mês de março a inflação atingiu o patamar mínimo de 0,1%, levando a taxa anual para 0,6%. Apelidada de Dubai Latina ou Dubai das Américas, a Ciudad de Panamá tornou-se ponto obrigatório de financistas, comerciantes de zonas de livre comércio e turistas ou donos de suspeitas fortunas.

Realidade distinta vive a Venezuela de Nicolás Maduro onde, não obstante o Banco Central não divulgar dados sobre as finanças nacionais desde janeiro de 2016, fontes independentes constatam que só no primeiro trimestre deste ano o país sofreu uma inflação de 453,7%. A previsão para 2018 é de uma inflação de 13.000% (treze mil por cento!), disparada a maior da Terra, bem distante do segundo colocado, o Sudão do Sul com 111% (a Argentina é a 7a. neste ranking, com 22% ao ano). De acordo com a OPEP e nas palavras de Fatih Birol, Secretário-Executivo da Agência Internacional de Energia, a produção de petróleo  venezuelana reduziu-se à metade desde que Hugo Chávez assumiu o poder em 1999. Após duas desvalorizações seguidas no final do ano passado, um novo sistema monetário entra em vigência a partir de 1º de junho. O Bolívar teve três zeros amputados para que surja o Bolívar Soberano (BS), mas a maior nota a ser impressa, de 500 BS, não consegue comprar sequer uma lata de atum que custa, por enquanto, 678 BS (em janeiro estava a 1/4 deste valor). O Salário Mínimo (SM), reajustado em 2 de março último, ainda pela moeda velha, é de 1,3 milhão de Bolívares, o equivalente a 36,6 dólares no câmbio oficial e 6,1 dólares no mercado negro, o suficiente para comprar uma peça de 3 kg de carne bovina nos poucos açougues que ainda a comercializam. De acordo com as regras bolivarianas,o SM é dividido em dois componentes: 30% corresponde à remuneração em si e 70% ao “auxílio-alimentação”, um sofisma que já foi incorporado pelos venezuelanos que o chamam de auxílio-funeral.

 

 

 

 

 

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 Venezuela acumula una inflación de 453,7% en lo que va de año

e acuerdo a la medición del congreso, bajo control opositor, la inflación interanual fue de 8.878,1% hasta marzo, en medio de la hiperinflación y profunda recesión que vive el país petrolero.

“Se profundiza (…) más el colapso económico del país”, escribió el diputado y economista Ángel Alvarado en Twitter, donde suele publicar el indicador.

“La hiperinflación sigue su senda”, agregó en su cuenta en la red social.

De acuerdo con los cálculos de la Asamblea, en marzo los precios en promedio aumentaron un 67%, una aceleración ligeramente menor a la del mes anterior.

Los economistas consideran que el país entra en una hiperinflación cuando los precios aumentan más de un 50% al mes o las tasas anuales superan el 100% durante tres años consecutivos. Hasta ahora, la nación sudamericana cumple esas condiciones.

El Banco Central de Venezuela no divulga datos sobre la inflación desde enero del 2016.

El presidente Maduro, que busca su reelección en las elecciones de mayo, anunció en marzo la eliminación de tres ceros a la moneda local y la circulación de nuevos billetes a partir de junio, en una medida que busca solventar la escasez de efectivo ante el alza de los precios que vive la nación petrolera.

Los críticos al Gobierno argumentan que la principal causa de la voraz inflación es la impresión de dinero del Banco Central para financiar el creciente gasto público. Pero Maduro atribuye el alza a una denominada “guerra económica” liderada por Estados Unidos, la oposición y empresarios.

Venezuela acumula una inflación de 453,7% en lo que va de año

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