5a Feira Cuba terá novo Presidente

Seguindo-se à eleição de 605 novos deputados no mês passado, a Asamblea Nacional Popular cubana escolherá na próxima 5ª. Feira, 19 de abril, os 31 componentes do Conselho de Estado indicando dentre eles o presidente e um 1º Vice. Fidel, falecido em 26 de novembro de 2016 aos 90 anos, governou o país até dez anos atrás, quando transmitiu a presidência ao seu irmão Raúl que agora se aposenta aos 86 anos. O novo presidente será o engenheiro Miguel Díaz-Canel, atual 1º Vice e ex-ministro da Educação. Esta é a primeira vez em seis décadas que um Castro não é o primeiro mandatário deste país de 11,6 milhões de habitantes e que alguém não pertencente à “geração histórica da revolução” assume o poder. Díaz-Canel nasceu em abril de 1960, dezesseis meses após a entrada das tropas revolucionárias em Havana. A mudança, ao menos por ora, é mais simbólica do que real, mesmo porque Raúl seguirá sendo o Secretário-Geral do Partido Comunista.

Para a administração que agora se inicia, a economia é o principal problema da ilha. Depois da crise dos anos 1990 quando perdeu o apoio da União Soviética, três fatores recentes tiveram influência decisiva: a debilitação da Venezuela que fornecia combustíveis em troca de serviços médicos e educacionais; a posse de Donald Trump em substituição ao democrata Barack Obama, e o furacão Irma que no ano passado causou severos estragos nos cultivos de açúcar e nas refinarias por toda a ilha. Trump declarou na ONU que não levantará o embargo econômico a Cuba enquanto esta não reformular seu sistema político.

As mudanças recentes conduzidas pela administração de Raúl Castro ainda não produziram resultados suficientes. Já é possível abrir pequenos negócios por conta própria, como restaurantes ou alugar apartamentos e casas para turistas, mas professores universitários e outros profissionais não têm alternativa para conseguir dólares a não ser se transformarem em motoristas de taxis. Persiste o regime de duas moedas implantado há mais de duas décadas, quando foi instituído o Peso Conversível Cubano, ou CUC, cotado a 25 por dólar. No entanto, subsiste um ativo mercado paralelo, pois com os baixíssimos salários pagos em pesos cubanos não há como comprar serviços e mercadorias essenciais para uma família. Para conseguir dólares o governo comercia serviços médicos, hoje oferecidos a cerca de setenta países, entre os quais o Brasil, mediante contratos assinados entre autoridades oficiais que destinam apenas uma pequena parcela do montante recebido para os profissionais que prestam os atendimentos à população.

Outro desafio está na necessária modernização das comunicações. Ultimamente Díaz-Canel dedicou-se à tarefa de levar Cuba à era digital, expandindo o uso de telefones celulares e de internet de banda larga. Está prevista para breve a retirada do sinal analógico. O turismo, cada vez mais importante, com a deserção dos americanos assustados com as restrições cada vez mais impostas pelos republicanos passa a depender de países amigos como Espanha e França. Vôos diretos e regulares Paris-Havana voltaram a acontecer, reanimando o setor.

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