UMA ELEIÇÃO À ITALIANA

Sergio Mattarella, Presidente da Itália, convocou eleições para 4 de março de 2018

No confuso mundo atual, nada há de mais difficile da capire, ou difícil de compreender, que a eleição italiana prevista para realizar-se neste 4 de março. Os italianos, conhecidos como extrovertidos e por expressarem opiniões em altos brados, parecem mais indecisos que nunca. O presidente Sergio Mattarella, um juiz da suprema Corte Constitucional cujo irmão foi assassinado pela Máfia Siciliana, em dezembro último dissolveu o Parlamento depois de considerar excelente a gestão do seu 1º Ministro Paolo Gentiloni (ambos do Partido Democrático) que por ter superado o caos precedente já teria cumprido sua missão. O novo governo será forçosamente de coalizão. Na verdade, desde o fim da 2ª. Guerra, nenhum partido conseguiu votos para governar sozinho. Um agravante, agora, é a nova legislação eleitoral que institui um regime misto, com 1/3 sendo eleito por regime majoritário (maioria de votos). Votam 50 milhões de italianos nascidos no país e os naturalizados inclusive residentes no exterior que já receberam suas cédulas eleitorais e devem encaminhar os votos até 1º de março ao Consulado. No caso dos que estão no Brasil, é preciso escolher entre 90 candidatos da circunscrição América do Sul (24 brasileiros) para a Câmara e o Senado, mas quem tem menos de 25 anos só pode votar nos deputados. Regularizados em cartório existem (afora as alianças parlamentares) 147 partidos: 49 que receberam pelo menos 4% dos votos na última eleição de 2013; 29 regionais; 27 novos e pequenos; 2 do exterior que inclui a Unioni Sudamericana de Emigranti Italiani.

Há ofertas para todos os gostos: na esquerda, os Partidos Comunista e Socialista, além da Sinistra Dissidente; na ultradireita o Partito Nazionale Fascista e o Partito Fascista Republicano. Ligados à igreja, o Revolução Cristã, a União dos Cristãos e Democratas de Centro, entre outros; das Províncias, múltiplas opções locais como a Liga dos IDemoKratici di Calabria. O costume é que cada eleitor vota na sua preferência e em conseqüência os pequenos têm relevância. Os Irmãos da Itália (Fdt), uma ativa agremiação de direita, com 2% dos votos em 2013 tem 9 cadeiras na Câmara, como o Itália de Valores, um grupo esquerdista formado por procuradores anti-corrupção.

Segundo as pesquisas, os três favoritos são a Forza Itália de Silvio Berlusconi com reforço da Liga do Norte de Matteo Salvini (mais os Irmãos da Itália) com 36% das preferências; os governistas do Partido Democrático (centro-esquerda) com 25% e o populista Movimento 5 Estrelas criado pelo palhaço Beppe Grillo, hoje comandado por Gentili de Maio com 28% com um programa que prevê a eliminação imediata de 400 leis reguladoras de impostos a fim de melhorar o sistema fiscal. Para ser governo, basta 40% dos votos, mas se nenhum dos partidos conseguir, o presidente Mattarella pode optar entre nomear um 1º Ministro tecnocrata ou convocar novas eleições.O cenário é cada vez mais parecido com o caos espanhol.

As propostas são pouco convidativas. Berlusconi (ele de novo?) aos 83 anos quer manter o euro, mas junto com uma moeda italiana, a Liga do Norte renova sua aposta de reabrir casas de prostituição que na Itália estão proibidas há sessenta nos, além de acabar com a vacinação compulsória de crianças. O partido Escolha Civil, composto por economistas e tecnocratas, já tem onze deputados e quer crescer. Na mídia alternativa, a cada dia aumentam as consultas ao site “AboliamoQualcosa”, denunciando a tudo e a todos na trágica política italiana. (VGP)

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