Erdogan tenta massacrar curdos na Síria

Na 6ª. feira, 19 deste janeiro, as forças russas que controlavam o espaço aéreo da cidade síria de Afrin, junto à divisa com a Turquia, surpreendentemente se retiraram. Era a senha aguardada por Receep Erdogan, o sultão otomano que governa em Ancara, e no dia seguinte os aviões turcos atacaram abrindo caminho para a entrada das tropas terrestres com o objetivo declarado de expulsar combatentes curdos ai instalados após terem derrotado primeiro invasores da Al Qaeda e por fim terroristas do Estado Islâmico (EI), que até então ninguém conseguira desalojar. É mais um capítulo no interminável conflito que assola a Síria (vide mapas elaborados pela rede Al Jazeera), com pelo menos sete atores principais se

Afrin e Manbij, norte da Síria, fronteira turca, ameaçadas por Erdogan (imagem Al Jazeera – janeiro/2018)

digladiando.

A Rússia em setembro de 2015 oficializou seu apoio a Bashar al Assad e mantém no país sua base aérea em Latakia, além da força naval em Tartus, no Mediterrâneo. O Governo Sírio desde então virou o jogo da guerra, voltando a dominar boa parte do território, embora uma fatia enorme ao norte (em amarelo no mapa) permaneça na mão dos curdos. Os Estados Unidos contentaram-se em liderar a coalisão que derrotou o EI, são aliados dos turcos contra Assad, apoiam os curdos e contam com 2.000 mariners no enclave curdo de Manjib. Os Curdos são aproximadamente 30.000 nessa região fronteiriça (em terras sírias), do Partido de União Democrática (PYD) e de seu braço armado, a Unidade de Proteção Popular (YPG) com sua famosa e implacável ala feminina, a YPJ. A Turquia quer estabelecer um corredor de 30 km na fronteira com a Síria para sua própria segurança, argumentando que não há diferença entre os grupos curdos que agora combate e o Partido dos Trabalhadores (PKK) que é internacionalmente catalogado como organização terrorista (exceto pelos russos). Nas homenagens a dois soldados turcos mortos nos três primeiros dias da invasão, o Ministro das Relações Exteriores Mevlot Cavusoglu declarou que “não deixaremos o sangue de nossos mártires neste solo e continuaremos nossa luta até eliminarmos o terror”. O Exército Livre da Síria (ELS), formado em 2.011 a partir de desertores das forças militares nacionais para fazer oposição ao governo Assad, tem perdido homens para organizações mais radicais, além dos que agora foram cooptados pelos invasores turcos que os remuneram para que lutem contra os curdos. Por fim, o Estado Islâmico, após controlar grande parte do país viu-se suplantado pela ampla coalisão inimiga, mas ainda resiste em alguns núcleos do enclave de Deir Az Zor, limite com o Iraque.no vale do Eufrates.

A recente aliança estratégica estabelecida entre Erdogan e Vladimir Putin mostra, assim, sua relevância. Na prática os curdos foram uma vez mais abandonados seguindo sua histórica sina. O desafio agora está no cumprimento ou não da promessa turca de continuar sua marcha rumo a Manbij, onde teriam pela frente o contingente norte-americano.

Quem controla o quê na Síria – janeiro de 2018 (mapa produzido pela rede Al Jazeera)

 

 

 

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