Brasil: tendências para 2035

É razoável, no momento complicado (para dizer o mínimo) que o país vive, fazer projeções de longo prazo? Pois é o que técnicos do IPEA do Rio de Janeiro (Yacine Guellati e outros) apresentam no "Texto para Discussão 2348 - O Brasil em 2035: tendências e incertezas para a área social" produzido em novembro/2017 e que pode ser lido em: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_2348.pdf
IPEA faz prospecções para daqui a 18 anos

A partir de uma retrospectiva fundada em dados sólidos, como costumam ser os estudos do Instituto, o documento traça o que denomina de “tendências de peso”, em princípio bastante óbvias, como: envelhecimento da população, aumento da escolaridade e da participação feminina na economia, crescimento da demanda por pessoas que cuidem de idosos, redução do tamanho das famílias, demanda crescente por recursos hídricos e por saneamento básico.

A constatação de que as desigualdades vêm diminuindo não dá qualquer garantia de que isto continuará a ocorrer, face à atual “crise política” e econômica. “É certo que a experiência brasileira no combate à pobreza esteve, historicamente, muito mais associada aos efeitos do crescimento econômico, relegando a um papel secundário os potenciais efeitos das estratégias de redução da desigualdade.”

Haverá um decréscimo da população  partir de 2030 em função da queda da taxa de fecundidade (TF: número de filhos por mulher) que saltou de 5,8 em 1975 para 1,9 por volta de 2015. Frisam os técnicos que se a TF  está abaixo de 2,1 filhos por mulher não há reposição populacional. Serão, então (em 2030) 208 milhões de brasileiros com algo em torno de 90% residindo nas cidades, o que significa um país com imensas áreas de interior vazias.

A perspectiva é de que “tenhamos famílias menores e domicílios com menor número de pessoas. Um padrão mais próximo dos países desenvolvidos atualmente, ao que se soma a redução da proporção de mulheres dedicando parte considerável de seu tempo ao cuidado das crianças, que passa a despender esse tempo em outras atividades, inclusive com maior participação no mercado de trabalho. Sendo assim, configuram-se como tendência a redução do tamanho das famílias e o surgimento de novos arranjos familiares, com impacto na demanda por habitação até 2035. O aumento dos fluxos migratórios é outra alteração demográfica que deve ser levada em consideração.”

Para a área da saúde “especialistas preveem que os gastos públicos aumentarão, pois haverá mais internações, assim como um maior consumo de serviços de saúde e maior custo de tratamento das doenças crônico-degenerativas.”

Tratando-se de um texto voltado para a área social, os impactos da crise de atual, com baixa credibilidade nas políticas públicas e na classe política, além da escassez de recursos gerada pelo processo recente de esvaziamento dos cofres da nação pelas práticas de corrupção, não são examinados, embora fatalmente venham a ter relevante peso no que a população terá de suportar nos próximos dezoito anos. (VGP)

 

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