Honduras sob Estado de Sítio

A instabilidade política instalada há oito anos em Honduras está de volta, com reflexos intensos no resto deste pequeno país centro-americano de 15,6 milhões de habitantes e nos países vizinhos – especialmente na chamada comunidade bolivariana que apoia os protestos cada vez mais violentos da militância ligada a Salvador Nasralla, um apresentador de TV, 64 anos, que se diz de esquerda, da “Aliança de Oposição contra a Ditadura”. Com 94,35% das urnas apuradas, o atual presidente Juan Orlando Hernández, conhecido pelas iniciais JOH, lidera com 42,91% dos votos contra 41,42% de Nasralla Do exterior próximo, o venezuelano Nicolás Maduro é o que mais alto se manifesta, enquanto a OEA se limita a pedir pelo final das apurações das eleições de domingo passado.

A oposição argumenta que a contagem foi interrompida após ser contada a metade e ela liderava com 5% de vantagem. A partir dai, pouco a pouco, o candidato à reeleição foi se impondo até este final em que mantem uma dianteira de 46.586 votos e resta 1,5% das urnas por abrir. A militância foi para as ruas e quebrou tudo o que podia. Em resposta, o governo decretou um “Toque de Recolher”. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pressionado, tratou de responder demandas de informações da oposição, mas esta sequer enviou representantes à apuração especial das 1.006 atas que seu líder José Manuel Zelaya dissera serem duvidosas. Zelaya é o mesmo que, desobedecendo a Constituição, tentou obter um segundo mandato imediato em 2009 quando, após ser deposto, voltou ilegalmente ao país e se enfiou na embaixada brasileira (que o acolheu) graças à ajuda de Marco Aurélio Garcia e do ministro de Lula, Celso Amorim.

O TSE, que expulsara Zelaya, agora aceitou a candidatura, também imediata, de Hernández. O fenômeno não é um privilegio de Honduras. A publicação colombiana A Semana criou o neologismo “reelecionite” ao constatar que nove países da região fazem o mesmo, como é o caso recente de Evo Morales (de novo!) na Bolívia, da Venezuela, da Nicarágua. A exceção segue sendo o Chile, onde é exigido saltar um mandato para tentar de novo a eleição, como o faz agora o direitista Sebastian Piñera que acaba de vencer o primeiro turno, 14 pontos à frente do social-democrata Alejandro Guillier, e deve triunfar de novo neste 17 de dezembro.

Repete-se em Tegucigalpa e em San Pedro Sula, a capital financeira hondurenha, um fenômeno comum na América Latina: o dos saques indiscriminados a comércios, bancos, residências, por oportunistas organizados e sempre prontos a atacar a cada vez que algum governo balança. (VGP)

Militante do Partido Libertad y Refundación, pró-Nasralla roda um pneu para queimá-lo na rua, já incendiada, em Tegucigalpa (imagens El Heraldo)

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