Peste reaparece em Madagascar

A temível Peste está de volta. Reapareceu na ilha de Madagascar, no Oceano Índico, justo em frente a Moçambique e Tanzânia. O conhecido especialista Dr. Pedro Tauil, membro do Observatório da Saúde do Distrito Federal, lembra que, sendo uma zoonose, a peste não é erradicável. Nosso país tem bolsões da enfermidade, que têm se mantido sob vigilância.

Nesta semana as escolas de Antananarivo, a capital, e de várias cidades portuárias permanecem fechadas e as reuniões ou aglomerações de pessoas estão proibidas, pois a peste já afetou cerca de 400 pessoas, com 45 óbitos. Comuns na ilha são os casos de peste bubônica,  causados por picadas de pulgas que inoculam na vítima a bactéria Yersinia pestis (ou por contato direto com pessoas doentes), com sintomas iniciais semelhantes aos da influenza: febre, tremores, dores no corpo, náusea, vômitos e inchaço das glândulas linfáticas na virilha, pescoço e axilas. Contudo, o surto atual é da variante mais perigosa da doença, a pneumônica, a qual se transmite de pessoa a pessoa e é fatal a não ser que seja detectada e tratada em até 24 horas após se manifestar.

A Organização Mundial da Saúde enviou 1,4 milhão de doses de antibióticos a Madagascar, enquanto a Cruz Vermelha disponibilizou 368 mil dólares para ajudar o Ministério da Saúde local. O risco de propagação internacional, segundo a OMS, é baixo, não estando restringidas as viagens à ilha afetada.(VGP)

As primeiras manifestações da doença em humanos datam de 5 mil anos atrás na Sérvia. Das três grandes epidemias conhecidas, a mais recente ocorreu no século XIX na China. Diferentemente da história conhecida na Idade Média, as epidemias de hoje se desenvolvem de maneira muito mais lenta, com índices reduzidos de mortalidade.  Contudo, o surto de Madagascar apresenta características atemorizantes, pois se assemelha à Grande Praga de 1665, a última epidemia de peste bubônica na Europa que matou 15% da população de Londres quando a cidade tinha 100 mil habitantes.

Dos três tipos conhecidos – bubônica, septicêmica e pneumônica -, esta última é a mais letal e altamente contagiosa. No caso da ilha africana a febre é um sintoma da pobreza extrema com pessoas convivendo em meios sem adequada proteção sanitária nem água potável ou cu8idados à saúde.

Ao que se sabe, tudo começou com um homem de 31 anos que, proveniente de outra ilha próxima,  tomou um taxi de Antananarivo (uma cidade com 2,7 milhões de habitantes) para o litoral, nas praias de Toamasina. Pensando que havia contraído malária seguiu viagem, mas morreu no carro, constatando-se depois que já havia transmitido o mal a diversas pessoas com as quais mantivera contato na capital. Não obstante o baixo risco de que esse caso se transforme em um problema global, a verdade é que a peste, classicamente associada à Idade Média, nunca desapareceu e provavelmente nunca desaparecerá, seja em Madagascar, seja em outras regiões do mundo.

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