MASSACRES AMERICANOS E BRASILEIROS

Mandala Bay Resort em Las Vegas, palco do massacre em 10/2017 que deixou 59 mortos

Duas conhecidas personalidades certamente ficaram muito decepcionadas com as notícias do fuzilamento de 59 americanos que alegremente curtiam o último dia do festival de música country no pátio do Mandala Bay Resort em Las Vegas. Um deles é Abu Bakr al Baghdadi  que não teve como reivindicar o que chamaria de um “encantador massacre” para o Estado Islâmico que ainda lidera, lamentando o fato de que Stephen Paddock de 62 anos, o assassino, tenha agido sozinho e nunca tenha sequer pensado em aderir à sua seita. O segundo é Donald Trump que, quase às vésperas de completar turbulentos duzentos dias na presidência, vê naufragar sua tese de que o terrorismo é algo externo aos EUA, é feito pelos outros. Pouco depois de tomar posse ele visitou a Associação Nacional do Rifle, que tem dois de seus filhos como sócios, e declarou: “vocês me apoiaram e eu os apoiarei”, o que justifica sua vaga promessa, agora, de que “conversaremos sobre leis de armas as time goes by, ou seja, ao longo do tempo”, sem dizer quando e com que intenções. O fato de que nos últimos 375 dias os Estados Unidos tenham tido 373 massacres (tiroteios com 4 ou mais vítimas fatais) não comoveu os republicanos que sistematicamente têm impedido a aprovação de leis restringindo o uso de armas no país, nem os convenceu de que os verdadeiros terroristas estão entre seus compatriotas.

Mandala Bay Resort em Las Vegas, palco do massacre em 10/2017 que deixou 59 vítimas fatais e mais de 500 feridos

Outros que parecem invejar os morticínios promovidos pelos americanos são as autoridades brasileiras da área de segurança, uma vez que pouco fazem para mudar um quadro que em 2015 foi responsável por 59.080 mortes causadas por armas de fogo, uma taxa de homicídios de 29 por 100 mil habitantes que é bem superior à dos EUA e, na América Latina, coloca o Brasil entre os 10 Mais. Este ano de 2017 começou mal: no primeiro dia de janeiro uma chacina no presídio central de Manaus deixou 56 mortos e nos dezesseis dias seguintes já se computavam 133 vítimas, superando as 111 do Carandiru em 1992.

O Rio de Janeiro, afundando cada vez mais em suas tragédias e nos desmandos de seus políticos, queixa-se de que nos últimos nove meses nada menos de 100 policiais militares foram assassinados nos morros cariocas ou em suas casas, mas este número impressionante representa somente 3,4% do total de óbitos violentos no mesmo período. A negativa liderança nas estatísticas internacionais tem sido ocupada pelo Iraque, seguido pela Nigéria, Venezuela e República Centro Africana. As razões pelas quais o Brasil quase se equipara a esses países são discutidas interminavelmente pelos nossos governantes, deputados e senadores, sem que dai resultem soluções efetivas. O fato de que o Brasil não tenha um terrorismo ativo como o que abala a Europa, nem os metódicos matadores em série dos EUA, não nos confere qualquer vantagem. Acima de argumentos psicosociológicos, são as agudas desigualdades que isolam brasileiros ricos e pobres, o explosivo desemprego, a crise sem fim e a profissionalização do tráfico de drogas que melhor explicam o absurdo padrão de violência que, num crescendo, castiga os brasileiros, mas que apesar de tudo não consegue roubar-lhes a esperança.(VGP)

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