Execução de um inocente em Missouri suspensa na última hora

Marcellus Williams, condenado à morte por injeção letal em Missouri, EUA
Marcellus Williams, condenado à morte por injeção letal em Missouri, EUA

Mais um caso de pena de morte sem culpa comprovada sacode os Estados Unidos, desta feita no estado do Missouri onde o negro Marcellus Williams, hoje aos 48 anos de idade, chegou a ter sua execução por injeção letal confirmada para as 6 horas da tarde (14 horas em Brasília) da 3ª. feira 22 de agosto no Centro Correcional de Bonne Terre, cidade de 7 mil habitantes situada a apenas 95 km de St. Louis.

Ele foi sentenciado em 2011 pelo pretenso assassinato a facadas da repórter Lisha Gayle, 42, após invadir sua casa, e desde então está no Corredor da Morte. Os advogados de defesa apelaram da decisão com base em que os exames de DNA, agora concluídos, comprovam cientificamente que o sangue encontrado na arma do crime, nos sapatos e nos fios de cabelo da vítima não são de Williams. “Não há evidência física nem testemunhas oculares”, argumentam. Mesmo assim a Suprema Corte de Missouri desprezou as novas provas. A acusação se sustenta unicamente em dois testemunhos. Um é de Henry Cole, colega de cela de Williams, que teria a ele confessado o crime; outro de Laura Asaro, viciada em drogas, ex-namorada do acusado que disse ter visto arranhões no seu pescoço os quais teriam sido feitos pela vítima. No entanto os resultados do DNA não confirmam que as lesões foram produzidas pelas unhas de Gayle e Williams sempre sustentou ser inocente.

Quando examinou as credenciais de sete jurados negros para este caso, a Justiça do estado desprezou seis deles. Assim, o júri afinal foi composto por dez brancos e um negro. Ou seja, a vítima e o júri são brancos; mas o acusado é negro. No limite, o perdão só poderia ser concedido pelo jovem governador Eric Greitens ou pela Suprema Corte dos EUA. No centro dos debates está a afirmativa de que “a sociedade pode discutir se a pena de morte é aceitável para os culpados, mas não para inocentes, que nunca deveriam ser executados”.

No ano passado, segundo a Anistia Internacional, houve 1032 execuções no mundo, 89,5% delas em cinco países: Irã 567, Arábia Saudita 154, Iraque 88, Paquistão 87, Somália 28. Pela primeira vez nos últimos dez anos os Estados Unidos (20 casos) ficaram fora dos cinco mais. Alguns países não fornecem informações à ONU, como a China onde o tema é tratado como segredo de Estado, Sudão do Sul, Coréia do Norte e Vietnã. Em 2015 o presidente da Indonésia Joko Vidodo autorizou o fuzilamento dos brasileiros Marco Archer Moreira e Rodrigo Gularte, este apesar de diagnosticado com esquizofrenia e desordem bipolar, por tráfico de cocaína. A luta, em âmbito internacional, contra a pena de morte prossegue, ultimamente com base em questionamentos relacionados aos protocolos no uso de injeções letais e dúvidas sobre as substâncias químicas aplicadas, além de razões de ordem moral e da inutilidade da prática na redução da criminalidade e em especial do tráfico de drogas.

Afinal, poucas horas antes do vencimento do prazo fatal, o governador  Greitens, pressionado por um documento com mais de 200 mil assinaturas, ordenou que a execução de Williams fosse suspensa até que um comitê de peritos aceite (ou não) as novas provas de inocência determinadas pelo exame de DNA considerando que utilizou técnicas não disponíveis à época da condenação.

NA FLÓRIDA, EXECUÇÃO DE UM BRANCO

Dois dias depois da reviravolta no caso Williams, Mark Asay, 53, tornou-se o primeiro homem branco executado na Flórida por ter assassinado um homem negro. No coquetel de três drogas utilizado, a primeira foi Etomidate que tem poder anestésico e substituiu a Midazolam, cuja liberação para uso em execuções tem sido negada pelos fabricantes.

O crime ocorreu em 1987 e a vítima foi Robert Lee Booker. Desde a reinstalação da pena de morte no estado, em 1976, 20 negros foram executados por terem matado vítimas brancas. O atual governador, Rick Scott, tem em seu currículo – incluindo Mark Asay – já 24 condenações fatais concretizadas, mais do que qualquer outro na Flórida. (VGP)

 

Be the first to comment

Deixe seu Comentário

Seu e-mail não será publicado.


*