TERRORISMO NA ESPANHA

Mosaico de Juan Miró em Las Ramblas: ponto final do furgão Fiat, no atentado de 17/8/2017 de Barcelona

A Espanha parecia estar preparada. As ameaças terroristas do Estado Islâmico – EI – , segundo o último informe do governo de Mariano Rajoy, duplicaram em 2016 e o nível de alerta 4 (o máximo é 5), que se mantém desde junho de 2015, logo após os ataques da França e da Tunísia, corresponde a um risco alto de atentados. As mensagens jihadistas costumam aludir ao objetivo de retomar Al-Andalus, o território islâmico que após mais de oito séculos caiu com a expulsão dos muçulmanos de Granada em 1492. Treze anos atrás os trens suburbanos de Madri foram alvo de várias bombas que deixaram 192 mortos, então no maior ataque na Europa desde o vôo 103 da PanAm em Lockerbie. Temendo a repetição dos acontecimentos recentes de Nice, Berlim, Londres e Estocolmo, a polícia espanhola investiu pesado em serviços de contrainteligência montando um formidável aparelho de obtenção de informações que na prática livrou o país de novos ataques, até agora.

Às 5 horas da tarde desta 5ª. feira um furgão Fiat branco acelerou desde a Praça Catalunha em Barcelona e ao longo de 500 metros em plena avenida de Las Ramblas, o ponto de maior afluxo turístico de uma cidade que recebe pelo menos 11 milhões de visitantes a cada ano, correndo em ziguezague para obter maior rendimento atropelou a multidão de despreocupados e alegres caminhantes deixando 13 mortos e 80 feridos em estado grave. Passou pelo Mercado de la Boquería e só parou ao bater numa banca de revistas junto ao famoso mosaico de Juan Miró que, desenhado no chão, atrai curiosos de todo o mundo.

“Os responsáveis pelo ataque são soldados do EI e esta é uma resposta aos Estados da Coalisão (alusão aos países liderados pelos EUA que combatem o grupo sunita na Síria e Iraque)”, declarou a Agência noticiosa Amaq do EI, mas isto ainda nada prova, pois o atentado pode ter sido uma iniciativa de “lobos solitários” jihadistas. O primeiro suspeito já detido é Driss Oukadir, marroquino de 28 anos que alugou o furgão numa cidade próxima. O uso de veículos como arma se tornou um padrão para o terror, como confirma o assassinato de uma mulher por um extremista de direita em Charlottesville há poucos dias, mesmo porque não exige qualquer treinamento e nem mesmo habilitação para dirigir. Também está claro que houve uma mudança de foco, tornando os turistas um objetivo preferencial numa guerra em que todos os alvos servem para demonstrar a força de um movimento radical cuja presença é cada vez mais possível em qualquer parte e a qualquer momento, num mundo onde a polícia pode muito, mas nem sempre. (VGP)

Mosaico de Juan Miró em Las Ramblas: ponto final do furgão Fiat, no atentado de 17/8/2017 de Barcelona

 

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