Votação eletrônica: um processo sob dúvidas

Lixo eletrônico se acumula mundo afora
Lixo eletrônico se acumula mundo afora

Até a empresa venezuelana que vem fabricando as urnas eletrônicas para as eleições nacionais na última década afirma que houve fraude na apuração dos votos para a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) imposta pelo governo Maduro no último domingo.

Falando desde a sede da Sartmatic em Londres, Antonio Mugica, CEO da multinacional, disse que “nós sabemos, sem qualquer dúvida, que o comparecimento na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte foi manipulado. Estimamos a diferença em pelo menos um milhão.”  Perguntado pelos repórteres, o senhor Mugica reconheceu que as autoridades da Venezuela não iam gostar de suas palavras.

A Smartmatic era uma pequena empresa venezuelana dedicada à produção de sistemas eleitorais até que explodiu no mercado logo ao início do governo de Hugo Chávez em Caracas, transformando-se numa potente multinacional que desde então expandiu celeremente sua atuação, tendo proporcionado máquinas para votação eletrônica na Uganda, Zâmbia, Serra Leoa, Armênia, Bélgica, Estônia, Filipinas e Brasil, além da própria Venezuela. Constatações e suspeitas de que pertence ao governo bolivariano não estão confirmadas.

Dúvidas sobre a honestidade e a neutralidade dos sistemas vendidos aos países têm sido levantadas em várias situações. Em Flandres, na Bélgica, o governo não efetuou os pagamentos contratados por verificar múltiplas e evidentes falhas. Na Estônia constatou-se que o sistema é vulnerável à atuação de hackers, mas nas Filipinas é que as dúvidas se acumularam devido a imprecisões em várias votações, incluindo a última que elegeu o atual presidente Rodrigo Duterte. No Brasil a tecnologia foi adquirida pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE – tendo sido utilizado amplamente, p.ex., nas eleições gerais de 2014 e no mais recente pleito municipal.

De acordo com a Agência Reuters, a estimativa mais real é de que na ANC venezuelana votaram no máximo 3,7 milhões de pessoas, e não mais de 8 milhões como divulgou o governo de Nicolás Maduro. Dai se conclui que ou as máquinas não são confiáveis ou teriam permitido que um técnico (dos quadros da multinacional e/ou do governo) tenha inserido um fator equivalente a algo como 2,2 fazendo com que cada voto se multiplicasse de modo que o resultado relativo ao comparecimento popular fosse aumentado em cerca de 4.400.000 votos.

Contagens realizadas por organizações independentes e por partidos da oposição já haviam dito que não mais de 3 milhões de venezuelanos foram vistos nas desérticas cabines eleitorais durante todo o dia em que se realizou o pleito. A se confirmar tais diferenças, esta terá sido uma das mais notórias e extensas fraudes eleitorais recentes no mundo ocidental. colocando sob judice as outras votações realizadas com máquinas da Sartmatic mundo afora. Este tipo de forçosa conclusão é que teria realmente motivado o comando da empresa a denunciar o que denominou de manipulação pelas autoridades bolivarianas do aparelhamento (que tem a fidedignidade como marca essencial) que comercializa, receosa com a possibilidade de perder mercado internacional e, mais que isso, de ter auditados seus procedimentos e a forma como são eleitas as autoridades a partir de sua tecnologia.

 

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