Exército sob a lupa do The Economist

Em matéria intitulada “procuram-se inimigos para o Exército brasileiro”, publicada nesta 6a feira 7 de julho pelo Estadão, o The Economist afirma que cada vez mais as Forças Armadas brasileiras se transformam em uma força policial que, sem nada mais com que se preocupar, procuram inviabilizar contrabandos de maconha e minerações ilegais nos confins da Amazônia. O jornal britânico lembra foi no longinquo ano de 1711 que, pela última vez, uma grande cidade brasileira foi atacada por forças externas, quando um corsário francês dominou por alguns dias o Rio de Janeiro. “O Brasil, no momento, não tem inimigos” declara uma nota do próprio Exército que, no entanto, não deixa de solicitar mais recursos para impedir, no futuro, que estrangeiros possam cobiçar seus vastos recursos naturais, e para repor “uma tropa de baixa qualificação, mal equipada, executando cada vez mais funções de policiamento de rotina”.
É preciso, por outro lado, encontrar ocupação para os 334 mil homens que compõem o Exército nacional. Assim, a Força atua em questões do dia a dia para socorrer estados e municípios assoberbados com níveis explosivos de criminalidade, para cobrir eleições ou patrulhar as ruas em situações mais e mais críticas de violência promovida por grupos criminosos organizados com alto poder de fogo, graças à sua missão constitucional de “garantir a Lei e a Ordem”.
Se, por um lado, a população não parece se incomodar com a tendência ao aumento da presença militar em apoio ou em detrimento das forças policiais regulares, por outro lado os militares desejam para si um papel muito diverso, voltado para a reorganização da Arma em função de suas missões mais nobres, de proteção do país. O próprio ministro da Defesa Raul Jungmann defende a criação de uma Guarda Nacional permanente (mais ou menos como costuma ocorrer nos países de fala castelhana ao redor), especificando que teria inicialmente um contingente de 7 mil homens. É pouco frente a uma realidade na qual “dois terços das forças terrestres brasileiras têm contratos de trabalho limitados a oito anos de duração … e três quartos do orçamento militar é consumido com o pagamento de salários e aposentadorias”.

Ministro da Defesa Raul Jungmann e tropas se defendendo em manifestação anti-reformas do governo Temer

2 Comentários

  1. O Brasil não tem inimigos externos declarados, mas deve mesmo assim manter uma força militar preparada, e equipada. O Brasil se tivesse invadido qualquer parte de seu território, o inimigo iria enfrentar uma brutal resistência, pois o Brasil teria condições de mobilizar milhões de soldados em pouco tempo, e equipar para a luta, pois tem um grande parque industrial que poderia ser usado para fins de defesa, assim como os EUA na II Guerra.

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