Maduro copia Erdogan e cria novo atentado

Nas ruas, o povo segue protestando contra Maduro
A história, em seus acontecimentos mais vexatórios, costuma voltar de tempos em tempos. Um ano atrás o presidente turco Tayi Erdogan saiu em raras férias com toda a família para o luxuoso resort de Marmaris à beira do mar Egeu. “Coincidentemente” um ataque armado em Ankara foi rechaçado pelas Forças Armadas. Um dia depois Erdogan retornou triunfante para decretar a prisão de milhares de oponentes políticos e implantar de vez a ditadura como um novo califa.
Imitando o colega otomano, Nicolás Maduro, na pior, apelou para um obscuro Inspetor da Polícia Científica bolivariana, Óscar Pérez, que, sob o sol de uma tarde de junho, furtou um helicóptero Volcom na Base Aérea militar La Carlota e fingiu atacar os prédios que sediam o Ministério do Interior e Justiça e o Tribunal Supremo em Caracas. Efetuou 15 disparos e lançou quatro granadas sem ferir ninguém nem causar qualquer estrago. Tranquilamente, o inspetor, deu meia volta e rumou para o litoral norte rumo à Cordilheira Central mas, depois de 50 km de voo resolveu descer e aterrissou num bananal ao sopé do Cerro Ávila já no estado de Vargas, abandonando a aeronave para fugir sem ser importunado com quatro companheiros para a praia mais próxima no mar Caribe venezuelano, onde teria tomado uma lancha para sumir do mapa. No outro dia a Guardia Bolivariana varreu de cima a baixo o casario do povoado de Osma (onde residem não mais de mil pessoas) e das comunidades vizinhas de Chuspa, Todasana e La Sabana, nada encontrando.
De imediato, para surpresa geral apresentou-se na TV um Maduro sorridente para declarar que se tratava de um atentado financiado pelos Estados Unidos, jurando que “logrará com armas aquilo que não puder obter com votos”. Sem qualquer evidência a apresentar o vice-presidente Tareck El Assami informou que “seguimos na busca do terrorista”. Não é a primeira vez que Maduro cria fantasias para justificar o cerco e a perseguição de seus adversários. Em 16 de setembro de 2014 denunciou sem qualquer prova uma tal de Operación Libertad como “um novo plano terrorista da extrema direita para desestabilizar o país” e cinco meses depois declarou ter desmontado um nunca comprovado “Golpe de Oficiais da Aviação”, de onde resultaram outras dezenas de detenções. num expurgo da Força Aérea nacional.
Óscar Pérez é um jovem de 36 anos casado com a engenheira Danahis Martinez com quem tem três filhos entre 3 e 8 anos. Toda a família e sua mãe residem desde o final de 2016 na cidade de Hermosillo, no estado mexicano de Sonora. A imprensa venezuelana especula com a hipótese de que ele estaria se dirigindo ao México. Caso seja verdadeira a improvável história da lancha, onde estaria agora o inspetor? Logo em frente da costa venezuelana, com um litoral que na região se entende por 120 quilômetros, estão a ilha turística de Marguerita e, entre outros destinos caribenhos, Curaçao, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago. Caso se trate, como parece ser o mais provável, de uma farsa montada pela “inteligência” venezuelana, o inspetor há de permanecer desaparecido pelo tempo suficiente para ser olvidado pelos venezuelanos que, afinal, têm coisas mais serias com o que se preocupar.

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