Palestina, Hamas e a crise do Golfo

Em maio de 2014 mais uma tentativa de acordo entre o Hamas (Movimento de Resistência Palestina) que administra a Faixa de Gaza desde 2007 e o Fatah/AP que tem a seu cargo a Cisjordânia, visando um governo em comum para toda a área palestina que incluiria diversas outras facções regionais, terminou não sendo implementado por desacordos insuperáveis entre as partes. Agora talvez um aperto de mãos entre os líderes – Ismail Haviya (eleito em 5/5/2017) e o velho Mahmoud Abbas (substituiu Yasser Arafat, sendo reeleito em 9/2014) – seja um caminho inevitável para a salvação de todos.

Análise publicada pela rede Al Jazeera diz que o Hamas não estava preparado para a tormenta que lhe caiu em cima face à atual Crise do Golfo na qual o Catar teve as fronteiras bloqueadas pela Arábia Saudita e outros sete países. De um lado, a Autoridade Palestina por razões políticas (pois deseja governar sozinha Gaza e a Cisjordânia) decidiu cortar o fornecimento de eletricidade e de medicamentos para a Faixa de Gaza, provocando uma deterioração das condições de vida de uma população já historicamente submetida a carências de todo tipo. De outro lado, a pressão externa aumentou consideravelmente a partir da visita de Donald Trump à Arábia Saudita, quando catalogou o Hamas como uma organização terrorista, no que foi de imediato copiado pelo ministro de Relações Exteriores saudita.

Uma das principais exigências para solucionar a crise do Golfo é da expulsão dos líderes do Hamas que há muito residem no Catar. Colocado contra a parede, o Hamas sofre um enfraquecimento sem precedentes. Além de problemas com os aliados iranianos no apoio aos rebeldes que combatem o regime de Assad na Síria, perdeu recursos financeiros devido ao fechamento dos túneis por parte de Israel que endureceu suas posições na área limítrofe com Gaza que foi bloqueada.

Há que optar agora entre os dois únicos caminhos possíveis, pelo menos no curto prazo. O mais razoável é uma acomodação política concretizando um acordo real e factível com a Autoridade Palestina, possibilitando que Abbas e o Fatah voltem a governar a Faixa de Gaza, o que diminuiria a pressão internacional, desde que não desmanche a aliança com o Irã que é vital para o Hamas. O Egito, um ator fuindamental nesse processo, já opinou favoravelmente a esse tipo de acordo. Caso isso não possa ser rapidamente negociado, o confronto com Mahmoud Abbas se aprofundará e o Hamas ficará totalmente dependente do Irã, tendo como consequência possível  um demolidor ataque militar de Israel em Gaza (que em qualquer hipótese não está fora de cogitação).

A sempre complexa e instável situação da Palestina é mais uma vítima do lamentável conflito que persiste desunindo o Golfo Pérsico.

Divisa entre o Catar e a Arábia Saudita ficou às moscas devido à Crise do Golfo. Nem um lagarto se arrisca a atravessar (imagem Reuters em junho de 2017)

 

 

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