Propina para todos

Este parece ter sido o grande programa brasileiro dos últimos anos: Propina para Todos, parodiando os conhecidos “Saúde para Todos” ou “Educação para Todos”.

Em suas estarrecedoras e tranquilas delações, filmadas e reproduzidas para todo o país, Joesley Batista da JBS – chamado por uns de Empresário e por outros de Açougueiro, em ambos os casos com o qualificativo de “o maior do país” – declarou ter aberto no exterior duas contas nos nomes dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff no valor de US$ 150 milhões, mais ou menos a metade para cada um, especificando que regularmente apresentava os extratos da movimentação ao ministro Guido Mantega e que todo o dinheiro foi sacado. Entre os beneficiários dos valores disponibilizados pela JBS estariam, também, entre outros, Aécio Neves e Temer.

 

Agentes da Polícia Federal deixam o Congresso Nacional com malotes apreendidos nos gabinetes dos senadores Aécio Neves e Zezé Perrela e do deputado Rocha Loures (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Agentes da Polícia Federal deixam o prédio do Congresso com material obtido nos gabinetes de parlamentares. (Imagem de 18/05/2017, de Marcelo Camargo – Agência Brasil)

Em nota publicada no último dia 19/5, a Folha de São Paulo informa que mais de 1.800 políticos receberam dinheiro de procedência ilegal – em geral proveniente de desvios ou superfaturamentos de contratos públicos – pagos como propina pela JBS.

Cabe a cada um perguntar-se: como isso foi possível, de onde surgiu tanto dinheiro num país com tantas dificuldades como o nosso, o que há de verdade nos depoimentos da turma da JBS e o que há neles de exagero ou, quem sabe, de modéstia?

//Delator da JBS diz ter pago propina a 1.829 políticos eleitos

Ricardo Saud, x-diretor de Relações Institucionais da JBS, relatou aos procuradores da Lava Jato ter pago propina a 1.829 candidatos eleitos (ou não).

De acordo com o lobista, que firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF), um montante de quase R$ 600 milhões foi distribuído como pagamento indevido a 28 partidos da República.

O número representa quase a totalidade de siglas existentes no país. De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o Brasil tem hoje 35 agremiações políticas registradas.

Saud disse aos investigadores que o dinheiro ajudou a eleger 179 deputados estaduais em 23 unidades da federação. Os repasses contribuíram ainda para a vitória de 167 deputados federais provenientes de 19 partidos, 28 senadores da República e outros 16 governadores.

Ele cita entre os beneficiários estão quatro governadores eleitos pelo PMDB, quatro pelo PSDB, três pelo PT, dois do PSB, um do PP e um do PSD. No grupo de senadores estão alguns que não estavam no mandato, outros que disputaram a reeleição e ainda aqueles que se candidataram ao governo de Estados e saíram derrotados das urnas, reassumindo um posto no Senado.

O delator não dá o valor total das propinas de forma precisa, mas estima que “de quase R$ 600 milhões, apenas R$ 10 milhões ou R$ 15 milhões não eram propina”.

Para ele, os beneficiados sabiam da origem ilícita dos recursos.//

 

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