JBS e a economia de Goiás*

Zé Mineiro, ou José Batista Sobrinho cujas iniciais foram consagradas ao darem o nome para a JBS, quando abriu seu primeiro açougue em Anápolis 64 anos atrás nunca imaginou que um de seus filhos, o Joesley nascido em Formosa na periferia de Brasília, criaria o maior império no comércio de carnes do mundo transformando-se num trilionário global e, finalmente, afundaria nas águas turvas das operações Carne Fraca e Bullish da Lava Jato, reduzindo a frangalhos o restante do governo Temer. Para Zé Mineiro, hoje aos 82 anos, já não importa muito que os filhos ganhem mais dinheiro do que a Vale do Rio Doce. Das muitas empresas que compraram, gosta mais é da Alpargatas, a que fabrica as Sandálias Havaiana, uma delas nos seus pés.

Em 2016, abalada pelas perdas diante do fechamento dos grandes mercados importadores de carne em países como a China, Chile, Hong Kong, Egito, e Coréia do Sul (em conjunto respondem por 34% das exportações de carne do Brasil), a JBS chegou a perder 15% de seu valor na Bolsa, além de ser forçada a comercializar seus produtos a preços menores. Agora, flanando na recuperação gradativa dos prejuízos, eis que retorna ao noticiário. O Le Monde informou sobre “revelações de que Joesley Batista, dono do grupo JBS, o maior produtor mundial de carnes, decidiu colaborar com a Justiça”. De imediato a concorrência se animou. Estados Unidos, Austrália, Holanda, Alemanha, Índia e Canadá disputam as fatias maiores num mercado que no último ano rendeu 13,3 bilhões de dólares à balança comercial brasileira.

Pela ordem os principais produtos exportados pelo Brasil são soja, minério de ferro e carnes, sendo estas concentradas em poucos estados produtores. A Carta de Conjuntura (IPEA) do 1º trimestre de 2017, informa que Goiás é o 3º maior exportador de carne bovina (após São Paulo e Mato Grosso) com US$ 682 milhões; o 4º de carne suína com US$ 93,1 milhões (perde para os três estados do sul) e o 6º no segmento de frangos com US$ 299,5 milhões. Obviamente, o impacto de outra fase de encolhimento da procura global poderá ser fatal para a economia goiana.

Tida pelo BNDES de Lula e Luciano Coutinho como uma das “campeãs nacionais”, a partir de 2007 a JBS captou bilhões de dólares advindos da poupança nacional com juros favorecidos. Agora vai tentar socializar o prejuízo e Goiás se candidata a ser um perdedor solidário e desprotegido, mesmo porque a família Batista já esqueceu Anápolis e está morando nos States.

  • Texto, de Vitor Gomes Pinto, publicado em O Popular de Goiânia em 20/5/2013

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