Na França, triunfo arrasador de Macron

Os franceses foram às urnas neste domingo 7 de maio para, em 2º turno, eleger por ampla maioria a Emmanuel Macron para a presidência da República com mandato para os próximos cinco anos. Macron recebeu 20,7 milhões de votos que corresponderam a 65,8% dos que compareceram às urnas, contra 10,6 milhões concedidos a Le Pen que na prática fracassou ao sequer superar as abstenções.

O 1º turno foi extremamente disputado, com quatro candidatos terminando em virtual empate técnico: Emmanuel Macron do novo movimento En Marche (Em Marcha) 24,01% dos votos – Marine Le Pen da Frente Nacional 21,30% – o conservador François Fillon 20,01% – o esquerdista Jean-Luc Mèlenchon 19,58%. Um pouco atrás restaram Benoit Hannon do Partido Socialista com 6,36% em estrondosa derrota devida à forte impopularidade do atual presidente François Hollande, e o direitista Nicolas Dupont-Aignan 4,70%.

Macron, de apenas 39 anos e casado com Brigitte de 64, é um liberal que concorreu como independente. Nunca eleito para qualquer cargo e embora se diga um anti-político tradicional, foi ministro da economia do impopular governo de Hollande. Contou com o declarado apoio de três dos quatro candidatos derrotados (Aignan preferiu Le Pen). Houve uma curiosa união entre esquerdistas, centristas e direitistas combatendo a extrema direita representada por Le Pen, que não conseguiu convencer os eleitores no último (e único) debate direto pela televisão realizado pela TV quatro dias antes do pleito.

As abstenções atingiram níveis recorde. Não compareceram às urnas 12.041.000 de franceses, ou 25,37% do total de 47.449.000 eleitores, enquanto 4,1 milhões votaram branco ou nulo.

Apesar de tudo, as nuvens negras que encobrem a política gaulesa não se afastaram de todo. Le Pen, que já obtivera 6,4 milhões de votos em 2012, agora recebeu o apoio de 7,7 milhões (no 1º turno) que concordam com o que ela representa: antissemitismo, anti-islamismo, patriotismo exacerbado e agressivo, menosprezo pelo que não é francês  Os tempos são de inversão de valores tradicionais, valendo lembrar o Brexit, a eleição de Donald Trump, os crescentes percentuais de abstenção e rejeição aos “velhos partidos” não só na Europa.

Uma vez definido o presidente, há que esperar as eleições legislativas para a Assembleia Nacional. Em um sistema distrital 577 deputados são escolhidos para um mandato de cinco anos (sujeito a dissolução pelo Presidente da República) em um regime de dois turnos que acontecem dias 11 e 18 de junho. Já os 348 senadores, que são escolhidos por cerca de 150 mil eleitores num regime indireto, como têm mandatos de 6 anos e foram escolhidos em setembro de 2014, desta feita não terão de submeter-se às urnas.

Entre um jovem e inexperiente Macron que é europeista, pró-euro e liberal de carteirinha e uma Marine que carrega a marca indelével de radical de direita, os franceses ficaram sem escolhas mais racionais, mas preferiram arriscar tudo negando apoio à tradicional e desmoralizada classe política “de sempre”.

Emmanuel e Brigitte Macron, Presidente e 1a. Dama da França a partir de 2017

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