O Império Otomano voltou

Recep Tayyp Erdogan é, de ora em diante, o califa, o novo sultão encarregado de trazer de volta aos turcos as glórias que o Império Otomano – nascido ao final do século XII – perdeu com a constituição da República da Turquia em 1923. Mustafá Kamel Atatürk, um humanista que se tornou, então, o primeiro Presidente da República, edificou uma nação democrática e secular que agora tem seu fim.

O Império Otomano voltou! gritaram os líderes populares no país inteiro, comemorando a vitória do homem que, na prática, já é o ditador, no plebiscito deste domingo 16 de abril de 2017 que mudou o regime de parlamentarista para presidencialista concedendo poderes praticamente irrestritos ao novo chefe do governo. Erdogan vai comandar um estado muçulmano esticando ao máximo o poder que 51,3% dos votantes acabam de conceder-lhe. Aos milhares de opositores e democratas de todos os calibres que já estão presos, acrescentar-se-ão muitos outros, até que a oposição ao sultão cesse. Tempos negros para a Turquia, para os curdos  e para o Oriente Médio.

Muitos se perguntam: por quê os turcos agiram assim? Porque gostam de sofrer, ou preferem a violência no lugar da paz, porque se acham um povo conquistador e dominante acima de tudo, porque detestam a igualdade entre os homens e no fundo sentem uma imensa saudade dos séculos em que impunemente os exércitos otomanos impuseram sua vontade sobre boa parte do mundo. Talvez tenha sido um sentimento que misturou tudo isso e foi muito bem explorado por Recep Tayyp, um líder aparentemente sem graça, com um bigodinho que reforça sua cara de homem comum sempre de gravata, que não tem nem cara nem porte físico de sultão e cresceu por ser impiedoso e não dar tempo aos adversários para que respirassem.

Recep Tayyp Erdogan quer ser o novo sultão otomano

Be the first to comment

Deixe seu Comentário

Seu e-mail não será publicado.


*