No Equador: Lenín e Llaso vão para 2º Turno em 2 de abril (ATUALIZADO)

Finalmente o presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Juan Pablo Pozo, viu-se obrigado a declarar que a tendência das urnas é irrevogável, com o que o Equador terá um 2º Turno já marcado para o domingo 2 de abril próximo. Com 99,69% dos votos computados passam para a 2a, volta o candidato oficialista Lenín Moreno com 39,35% e o oposicionista Guillermo Lasso com 28,10%. À medida que a apuração avançou, a vantagem de Lenín que vinha se alargando estabilizou-se. A apuração pelo CNE “empacou” por volta dos 90% das urnas, gerando multidões cada vez maiores à frente da sede do CNE.

A “social-cristiana” Cynthia Viteri obteve 16,31%, Paco Moncayo 6,70% e os demais quatro candidatos 9,52%. A abstenção foi de 18,05% e, somada aos brancos e nulos, supera ao obtido pelos 3º e 4º colocados juntos.

A curiosa regra vigente no país (imposta pelo governo para dificultar a vitória de oposicionistas) é de que para vencer na 1º volta, é preciso alcançar 40% e uma vantagem de 10% sobre o 2º colocado. Ao final, a diferença ficou em 11,25% e o líder ficou a escassos 0,65% do limite mínimo exigido.

As perspectivas para a segunda volta são de que o favoritismo mude de lado, beneficiando Lasso com o apoio da maioria dos demais candidatos e a formação de uma corrente popular anti-Correa que Lenín Moreno dificilmente conseguiria conter. Como declarou Lasso, 60% do eleitorado equatoriano teria se manifestado nas urnas contra Correa. Mas não há garantia de que todos os que votaram em Viteri transfiram seu apoio para Lasso, enquanto a fatia de Moncayo (que declarou não apoiar a ninguém) terá de ser disputada milímetro a milímetro pelos dois finalistas.

Viteri logo reconheceu sua derrota e afirmou que passará a apoiar Lasso, para o turno decisório.

Depois de Franklin Delano Roosevelt que ficou numa cadeira de rodas por efeitos da Síndrome de Guillain-Barré a partir de 1921 e foi presidente dos Estados Unidos de 1933 a 1945, Lenín Moreno seria o primeiro presidente paraplégico nas Américas a concorrer (e eventualmente governar).

As promessas dos dois candidatos são substancialmente opostas, pois enquanto Lenín se propõe a dar continuidade às propostas de uma Sociedade do Século XXI feitas por seu padrinho Rafael Correa e que incluem o apoio a colegas bolivarianos como Maduro na Venezuela, Ortega na Nicarágua e Evo Morales na Bolívia , seu adversário G. Lasso se posiciona na linha liberal e, entre outras medidas, diz que irá abrir as portas da embaixada equatoriana em Londres para que de lá saia o australiano Julian Assange (no prédio, asilado desde fevereiro de 2012), o criador do Wiki Leaks.

Em suas primeiras declarações públicas após seu candidato fracassar na tentativa de liquidar a fatura no 1º turno, Rafael Correa – acostumado a mandar e a dizer o que lhe vem à cabeça – ameaçou derrubar Lasso dentro de um ano por meio da figura do impeachment. A declaração é absurda e irresponsável pois significa ogar o país num ambiente de incertezas e de confronto, além de escancarar uma virtual certeza de que Lenín Moreno será derrotado em 2 de abril. Para que isso venha a ocorrer, ademais será necessária uma eventual administração catastrófica de Llaso e o voto de 3/4 dos parlamentares. No entanto, no pleito deste 19 de fevereiro a Alianza País de Correa e Moreno obteve apenas maioria simples (73 cadeiras num total de 137, ou seja, 53,3%), enquanto a fórmula CREO&SOMA de Llaso terá 34 cadeiras (34.8%), os Democratas Cristãos de Viteri 15 vagas (10,95%), o mesmo que os demais partidos menores., forçando um governo de coalisão. VGP)

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