Donald Trump e a América real

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América (imagem novembro de 2016)
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América (imagem novembro de 2016)

Os americanos autênticos, verdadeiros, aqueles da Norte-América profunda, venceram de novo. O mundo não gosta deles? Pouco importa, pois se consideram superiores a tudo e adoram mandar no mundo. Se reclamarem muito basta fazer a guerra, jogar-lhes algumas bombas em cima e tudo se resolve! Assim, com saudades do bom e velho G.W. Bush, à falta de algo melhor, elegeram não um rei e sim um monstro.

Estavam cansados depois de suportarem dois mandatos de um negro na presidência e agora queriam impingir-lhes uma mulher… Basta! Bob Clinton contou, divertido, uma historinha – em 1961 Hillary, aos 14 anos, escreveu uma carta à NASA, perguntando o que precisava fazer para tornar-se uma astronauta. A resposta: Thank you, but we don’t take girls (Obrigado, mas não aceitamos mulheres)”. A NASA mudou, passou a admitir girls, mas o povo americano não.

Quando, na tela, surgiram os resultados da Pensilvânia (20 votos), democrata desde 1988, a vitória de Donald Trump estava definida. Mas, perguntavam-se atônitos seus adversários, lembrando os tempos em que Trump ganhava a vida fazendo comerciais na TV, quem vai eleger um ex-garoto propaganda da Pizza Hut? Pois, no início da madrugada desse 9 de novembro Hillary Clinton entregou os pontos e civilizadamente fez a ligação cumprimentando Donald por sua eleição. Ele recebeu dois outros cumprimentos emblemáticos dos novos tempos, um de Marine Le Pen, a rainha da ultradireita francesa, outro de Vladimir Putin que augurou melhores relações entre Rússia e EUA a partir de agora.

No exótico modelo eleitoral norte-americano ela conseguiu uma apertadíssima vantagem no total de votos, mas no Colégio Eleitoral empacou em inacreditáveis 218 votos enquanto Trump chegou a 276. No Wyoming e em West Virginia Trump recebeu 70% dos votos e de maneira decisiva ganhou em Ohio, na Flórida e na Carolina do Norte, três swing states (a cada eleição mudam de lado).

Bernie Sanders, o “socialista” (como se isso existisse numa corrida à Casa Branca) que perdera a nominação como candidato democrata para Hillary vingou-se: “eu não disse que ela não conseguiria vencer Trump?”. O fato é que a sempre presente e cruel ‘maioria silenciosa’ ressurgiu dos confins da América para assegurar aos republicanos um triunfo incontestável tanto para o Executivo quanto para a Câmara e o Senado. Segundo o londrino The Guardian, “a vitória de Trump é um dia negro para o mundo”, esquecendo de que o Brexit recentemente afundou o Reino Unido.

Se surpresa houve, deve-se aos incorretos prognósticos divulgados pelos Institutos de Pesquisa que, conhecedores da força da onda republicana em pelo menos 28 dos 50 estados, até a última hora atuaram mais como veículos da campanha democrata do que como agências imparciais de notícias. A desastrada campanha de Hillary lembra a derrota de Vargas Llosa em 1990 que condenou o Peru a suportar por dez anos a ditadura de Alberto Fujimori. E não foi por falta de aviso. Os Simpsons, dezesseis anos, atrás previram Donald Trump na presidência e suas trágicas consequências para os Estados Unidos da América.(VGP)

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