Brasil emerge mais conservador após eleições municipais de 2016

A terrível debacle do Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições municipais de 2016 no Brasil teve intenso reflexo sobre toda a esquerda. fazendo com que o país amanheça neste final de outubro politicamente mais voltado para o centro e para a direita. Com resultados do 2º turno já computados, o PMDB permanece como o maior partido, mas comanda apenas 18,7% das prefeituras municipais em função da forte atomização que caracteriza o quadro político-partidário no país. Considerando um universo de 5.553 municípios (o total de municípios brasileiros é de 5.570) para os quais há resultados disponíveis, o quadro abaixo resume a distribuição de prefeitos eleitos pelos 31 partidos políticos atuais.

Em seguida, Mundo Século XXI  reproduz o texto publicado por “Congresso em Foco”, referente ao resultado do 2º turno realizado em 57 cidades no dia 30/10/2016.

O PT que conquistou 644 Prefeituras no pleito municipal de 2012 e 558 em 2008, agora teve de contentar-se com apenas 256. Marcus Alexandre (vide foto) triunfou em Rio Branco no Acre, tornando-se o único prefeito do PT a administrar uma capital de estado.

MUNICÍPIOS BRASILEIROS SEGUNDO O PARTIDO POLÍTICO VENCEDOR DAS ELEIÇÕES DE 2016

Partido – Nº de municípios – %

PMDB –  1.028 – 18,67

PSDB –  792 – 14,51

PSD  –  540 – 9,72

pp     – 494 – 8,90

PSB  –  417 – 7,51

PDT  – 337 – 6,07

PR   –  298 – 5,37

DEM  –  267 –  4,81

PTB  –  264 – 4,75

PT   –  256 – 4,66

21 OUTROS – 837 – 15,07

TOTAL  5.553 – 100

 

PT passa em branco no segundo turno e tem seu pior desempenho em capitais desde 1985

Todos os sete petistas que disputaram a eleição neste domingo foram derrotados. Entre as capitais, o partido só conquistou Rio Branco, no Acre, onde Marcus Alexandre foi reeleito no primeiro turno. Legenda comandará apenas 256 prefeituras em todo o país

Também terá de se conformar com as 256 prefeituras conquistadas no primeiro turno. Uma queda de quase 60% em comparação com o desempenho de quatro anos atrás. Dois meses após o impeachment da ex-presidente Dilma, o partido foi o que mais encolheu em número de votos e prefeituras conquistadas. No ranking geral, aparece apenas na décima colocação, atrás de siglas menos expressivas, como o PSD, o PSB, o PDT e o PTB.

Desde a vitória isolada de Maria Luiza Fontenele, o pior resultado do PT nas capitais havia sido registrado em 1996, quando conquistou Belém, com Edmilson Rodrigues (hoje no Psol), e Porto Alegre, com Raul Pont. Rio Branco, o único reduto petista que sobrou entre as capitais, tem uma população de 380 mil habitantes.

A perda de espaço do partido nos grandes centros começou em 2008, a primeira eleição municipal após a descoberta do mensalão. Naquele ano, o partido venceu em seis capitais, três a menos do que as conquistadas em 2004, a primeira após a chegada de Lula ao Palácio o Planalto. Em 2012, a legenda compensou a perda de dois centros com a eleição de Fernando Haddad (PT), em São Paulo. Em 2 de outubro, Haddad foi derrotado já no primeiro turno por Doria.

A queda do partido ocorre no momento em que a sigla enfrenta forte desgaste com denúncias de envolvimento de lideranças com esquemas de corrupção, como o petrolão, e o impeachment de Dilma. Pela primeira vez o PT não elegeu qualquer prefeito em seu berço, a região do ABC Paulista.

Este ano o PT ficou de fora da disputa final em redutos importantes e históricos para o partido este ano como Porto Alegre, Fortaleza e Belo Horizonte. Também não governará nenhuma grande cidade no Nordeste. Desde 1985, a legenda acumulou 36 conquistas em capitais. Uma média de quatro por eleição municipal.

Histórico do PT em capitais nas eleições municipais: 1985 – 1; 1988 – 3; 1992 – 4; 1996 – 2; 2000 – 6; 2004 – 9; 2008 – 6; 2012 – 4; 2016 – 1

Marcus Alexandre,em Rio Branco no Acre, único prefeito eleito em capitais brasileiras em 2016

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