Concentração no mercado de vinhos

O Brasil produziu em 2015 um total de 246 milhões de litros de vinho, mas 84% são “vinhos de mesa”, outro tanto vai para o setor de sucos de uva, restando pouco mais de 8% para os chamados “vinhos finos”. Acrescentando-se os vinhos importados, o consumo nacional per capita teimosamente permanece em torno de 2 litros/ano, algo que nos deixa a léguas de distância dos vizinhos argentinos, uruguaios e chilenos.

Mesmo assim, há quem ganhe dinheiro no setor e uma prova disso acaba de ser dada pelo bilionário Abílio Diniz que, depois de comprar uma pequena rede de panificadoras (a “Benjamin”, junto com o empresário Jorge Paulo Lemann com a ideia de montar a primeira rede nacional de padarias), acionou sua empresa de investimentos, a Península Participações, associando-se à Wine.com.br , também proprietária da marca WBeer.com.br, que se dedica a vendas por meio de plataforma virtual.

O investimento de Diniz deve alcançar a cifra de R$ 100 milhões com a proposta de expandir os negócios internacionalmente, numa estratégia de “diversificação do portfólio da Península”. O criador do site, Fernando Optiz, e o seu atual presidente, Rogério Salume, continuarão tocando o negócio, que se considera “a maior empresa de e-commerce de vinho da América Latina”, dobrando o faturamento a cada ano desde sua criação em 2008, além de administrar um clube (ClubeW)  de assinaturas de adeptos da bebida com cerca de 140 mil associados brasileiros. O faturamento previsto para 2016 é de R$ 400 milhões segundo o Valor Econômico que a considera uma das “startups” exitosas no universo das operações digitais recentemente atuantes no Brasil.

A sede está localizada em Serra/ES, de onde despacha as encomendas em “wineboxs” para cerca de 300 mil clientes no país. O negócio ainda depende de aprovação final, o que deve acontecer em 60 dias. Os sócios capitalistas pretendem “democratizar o acesso ao vinho no Brasil” (ou seja, vender mais) e privilegiar clientes na América do Sul, um projeto por demais ambicioso especialmente se for levada em conta a presença de concorrentes tradicionais e de larga experiência nos mercados globais cujas bases de atuação estão situadas nos países grandes produtores de vinho na região (Chile e Argentina).

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