Resveratrol, Doença de Alzheimer e vinhos

A certeza de que o vinho em quantidades moderadas e regulares é benéfico para a saúde ganhou esta semana um novo reforço com a publicação do texto Resveratrol as a potential therapeutic candidate for the tratment and management of Azheimer’s Disease (Resveratrol como om candidato terapêutico potencial para o tratamento e manuseio da Doença de Alzheimer) pela revista Neuroscience News de junho corrente, cujo sumário – abaixo reproduzido – pode ser encontrado no blog Amicor do pesquisador e cientista gaúcho Dr. Aloyzio Achutti (http://amicor.blogspot.com.br/).

Este site tem enfocado o tema em sua coluna dedicada a vinhos, como no artigo “Vinho e Saúde: atualizando conhecimentos” (mundoseculoxxi.com.br/?p=40), do qual provem este esclarecedor parágrafo: ” As conclusões obtidas (em revisão da ampla revisão do American Journal of Enology and Viticulture) não deixam margem a dúvidas, confirmando os benefícios para a saúde advindos do consumo regular e moderado de vinho, particularmente vinho tinto rico em polifenóis (substâncias naturais antioxidantes como o resveratrol que bloqueiam os efeitos nocivos dos radicais livres), que tem sido associado à diminuição do risco para problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2 e vários cânceres. Os polifenóis também reduzem a agregação das plaquetas (prevenindo o surgimento de trombos) e as inflamações sistêmicas, além de aumentarem a função endotelial com o que evitam a formação do LDL, o mau colesterol. Embora vários componentes como as antocianinas e os flavonóides tenham uma ativa participação, a chave do processo é o resveratrol presente nas sementes e na casca da uva, por alterar o metabolismo lipídico e inibir a oxidação do LDL, tornando-se um potencial cardioprotetor, ademais de se opor ao crescimento de alguns tumores e agir como anti-inflamatório, neuroprotetor, antibacteriano e antiviral, entre outras características”.

As relações diretas entre o resveratrol e a Doença de Alzheimer (DA ou AD na sigla em inglês) , no entanto, não haviam sido convenientemente estabelecidas e este artigo de Nady Breiden e outros pesquisadores procura fazê-lo, focando no tratamento, desde que associado a substâncias antioxidantes. Leia, a seguir, o sumário e ao final uma tradução livre feita por MUNDO SÉCULO XXI, que inclui breves explicações de termos técnicos.

AD and Resveratrol

Combination Therapy May Hold The Key to Slowing Down Alzheimer’s

Combination therapy may hold the key to slowing down Alzheimer’s disease. NeuroscienceNews.com image is credited to Dr. Nady Braidy et al, Bentham Science Publishers.

Summary: A new study reports reveratrol could be a therapeutic candidate for the management and treatment of Alzheimer’s disease.
Source: Bentham Science Publishers.
Resveratrol is a naturally occurring polyphenolic phytochemical produced in several plants, especially grapes skin and seeds. One epidemiological study reported a positive association between moderate red wine consumption and a low incidence of cardiovascular disease, known as the “French Paradox.”
The neuroprotective effects of resveratrol for the treatment of Alzheimer’s disease (AD) have been investigated in various in vitro and in vivo models of AD. Despite the high bioactivity of resveratrol in AD, there is poor bioavailability of resveratrol, that is, the concentrations required producing favourable biological effects in the brain and neuronal cells are insufficient to demonstrate efficacy in humans. Therefore, successful clinical application of resveratrol as a single ‘take home’ oral therapy alone presents a major challenge for the treatment of AD.
We propose herein a novel combination therapy consisting of an agent for chelating redox-active metals (Fe2+) and/or an antioxidant to reduce damage caused by residual oxygen free radicals, in addition to resveratrol, a modulator of AMPK and sirtuin pathways (nuclear transcription).
The addition of resveratrol may have the capacity to increase activity of the NAD+- dependant deacetylases such as sirtuin family enzymes (e.g. SIRT1) and promote improved DNA repair by enhancing PARP enzyme activity through increased production of their essential substrate NAD+, and thus improve cell viability and longevity.
A synergistic combination of a selected antioxidant substances, Fe2+ chelating agents and resveratrol may be expected to provide a more clinically successful treatment.

ABOUT THIS NEUROSCIENCE RESEARCH ARTICLE
Source:Bentham Science Publishers 
Image Source: This NeuroscienceNews.com image is credited to Dr. Nady Braidy et al, Bentham Science Publishers.
Original Research:Abstract for “Resveratrol as a Potential Therapeutic Candidate for the Treatment and Management of Alzheimer’s Disease” by Nady Braidy, Bat-Erdene Jugder, Anne Poljak, Tharusha Jayasena, Hussein Mansour, Seyed Mohammad Nabavi, Perminder Sachdev and Ross Grant inCurrent Topics in Medicinal Chemistry. Published online June 2016doi:10.2174/1568026616666160204121431
DA (Doença de Alzheimer) e Resveratrol
Terapia combinada pode ser a solução para redução (do ritmo de progressão) do Alzheimer.
Legenda da figura: Terapia combinada pode ser a solução para retardar a doença de Alzheimer.
Sumário: Um novo estudo informa que o resveratrol pode ser um candidato terapêutico para o manejo e tratamento da doença de Alzheimer. Fonte: Editores Bentham Science.
Resveratrol é um polifenol fitoquímico que ocorre naturalmente e é produzido em diversas plantas, especialmente em cascas e sementes de uvas. Um estudo epidemiológico constatou uma associação positiva entre consumo moderado de vinho tinto e baixa incidência de doença cardiovascular, conhecida como “Paradoxo francês”.
Os efeitos neuroprotetores do resveratrol para o tratamento da doença de Alzheimer (DA) têm sido investigados em diversos estudos in vitro e in vivo. Embora a alta bioatividade do resveratrol na DA, há pouca biodisponibilidade, ou seja, as concentrações requeridas para a produção de efeitos biológicos favoráveis no cérebro e neurônios são insuficientes para demonstrar eficácia em humanos. Entretanto, aplicações clínicas com sucesso de resveratrol como uma terapia oral por si só representam um forte desafio para o tratamento da DA.
Propomos incluir uma nova terapia combinada consistindo de um agente quelante redox-ativo Fe2+ (redução da oxidação do ferro) e/ou um antioxidante para reduzir os danos causados por radicais livres residuais de oxigênio, em adição ao resveratrol, um modulador de AMPK (enzima para combater o envelhecimento) e uma proteína de efeitos anti-envelhecimento que atua na transcrição nuclear.
A adição de resveratrol pode ter a capacidade de reduzir os danos causados pela dependência de diacetilases em NAD+- (enzima encontrada em todas as células vivas que estimula reações antiredutoras da oxidação, cujo efeito é de retardar a velhice precoce). Assim se promove o aumento de DNA favorecendo a atividade PARP (proteína envolvida no mecanismo que leva à morte celular), fortalecendo a viabilidade das células e a longevidade.
Uma combinação sinérgica de substâncias antioxidantes selecionadas, e agentes quelantes que evitam a precipitação de óxido de ferro, com resveratrol podem possibilitar um tratamento clínico da doença de Alzheimer com mais sucesso.

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