Crise brasileira: repercussões internacionais – A oposição que vem de fora (Boletim nº 33, 14/5/2016)

Certamente o novo ministro das Relações Exteriores, José Serra, tem uma tarefa e tanto pela frente: desmontar o aparelho montado sob a orientação do ex-assessor Marco Aurélio Garcia junto aos mais sensíveis ativistas de esquerda que labutam na mídia internacional.

Ao que parece, o comando profissional da ofensiva está concentrado na edição em português do jornal El País de Madri, cuja virulência aumenta a cada dia. Seu editorial de hoje é surpreendente e preocupante: “Um Brasil de Temer”, fazendo um jogo elementar de palavras com o nome do presidente em exercício, mas explicitando sua linha de ação ao colocar como sub-título: “A destituição de Dilma Rousseff não soluciona nada e aumenta a instabilidade do país”.

Em seguida dá grande destaque ao fato de que a presidente, empenhada ao máximo em denegrir a imagem do Brasil mundo afora, “atendeu a jornais estrangeiros e critica a composição ministerial de Temer”.

Já a potente rede Al Jazeera instalada no Qatar, mantém um vídeo que pretende responder a pergunta: “Was President Dilma Rousseff’s impeachment a coup?”.

Aguardemos pelos próximos movimentos de Serra que tem fama de ser um homem capaz naquilo que assume, mas que há de estar surpreso com a parcialidade de parte do noticiário internacional.

Não obstante, um apoio inesperado ao novo governo veio de Caracas. , graças às costumeiras “delicadezas” do presidente Nicolás Maduro que, de acordo com o noticiado pelo O Popular de Goiânia e por vários jornais brasileiros, “pediu na sexta-feira (13) ao embaixador do país em Brasília para regressar a Caracas, depois de o Senado brasileiro ter aprovado a abertura do processo de destituição da presidente Dilma Rousseff. Maduro classificou o afastamento de Dilma Rousseff, na sequência da decisão do Senado, “uma canalhada contra ela, contra a sua honra, contra a democracia, contra o povo brasileiro”.

Ontem (13/5), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) rebateu as críticas dos governos da Venezuela, de Cuba, da Bolívia, do Equador e da Nicarágua quanto à legalidade do processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff. Em nota, o Itamaraty disse “rejeitar com veemência” o que classificou como propagação de falsidades por partes desses governos em relação ao impeachment, informando que o afastamento de Dilma ocorreu “em quadro de absoluto respeito às instituições democráticas e à Constituição federal”.

 

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