O muro que divide o Brasil e o impeachment de Dilma

 

No meio desta semana fiz uma excursão triste, mas educativa, à Esplanada dos Ministérios em Brasília, a capital de todos os brasileiros. Fui ver o Muro com o qual dividiram a cidade. É de lata e pode ser derrubado com facilidade; está entre duas longas grades, bem no meio desse imenso e largo gramado.

Um Muro no meio da cidade, separando-a: petistas prá cá, não-petistas prá lá. Qual a cabeça maligna que decidiu isso? O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollenberg, naturalmente foi quem ordenou a construção e colocou os operários no serviço. Esses deputados lamentáveis, mais os Lulas, Dilmas, FHCs da vida, foram costurando a história até desembocarmos neste beco sem saída.

A que ponto querem que cheguemos? Ou já chegamos…

Muro de lata na Esplanada dos Ministérios em Brasília - abril de 2016
Muro de lata na Esplanada dos Ministérios em Brasília – abril de 2016

O simbolismo do maldito Muro é inevitável. Lembra Berlim, lembra as barreiras que tentam impedir o acesso de desesperados do norte ao Ocidente europeu, lembra os bloqueios entre os Estados Unidos e o México e muitos outros etcéteras mundo afora. Muito mais do que dividir esquerda e direita (???) na capital da República, é uma tentativa de dividir o Brasil, na prática coroando quatorze anos de mando pelo Partido dos Trabalhadores, que transformou a esperança com que foi recebido pelo país inteiro neste mar de violência (o Brasil tem hoje 2,8% da população mundial e 13% dos assassinatos, mesmo sem estar formalmente em guerra interna ou externa) e de uma megacorrupção que num curto espaço de tempo transformou a Petrobrás na 2ª. empresa mais endividada das Américas – deve US$ 127,5 bilhões, atrás apenas da General Electric com 226 bi e já à frente da AT&T cujo débito é de “apenas” US$ 126,9 bilhões.

Em tempos de queda sistemática do preço do barril de petróleo, só no Brasil estes ganhos não têm sido repassados para os consumidores. A razão? A Petrobrás necessita recuperar o seu prejuízo e o faz às custas da população, vendendo o óleo que compra mais barato e aumentando o preço da gasolina nos postos para lucrar com a diferença.

Quem vier da rodoviária em direção ao Congresso, se for a favor do impeachment é orientado a seguir pela direita, passando à frente da catedral; quem for contra, ou seja, a favor do governo, tomará a esquerda, caminhando em frente do Ministério da Educação e dos ministérios militares. A polícia marcha no meio. A previsão é de que até 300 mil manifestantes compareçam.

Para as Centrais Sindicais e o PT isso representa uma baixa significativa em seus caixas, pois além de financiar o transporte e a estada (geralmente em barracas imensas instaladas nos amplos espaços livres de Brasília), paga cerca de R$ 300,00 a cada manifestante trazido dos estados. Foram detectados, também, ônibus provenientes da Bolívia e de outros países fronteiriços.

A exigência constitucional de que 2/3 dos deputados aprovem o impeachment por votação aberta em plenário,  inicialmente constituía-se num impedimento radical à queda do governo, mas o acúmulo de insucessos do governo Dilma Rousseff e o volume de recursos desviados por meio de uma impressionante ação deletéria de membros do governo aliados com empresários organizados em empresas dedicadas a saquear de maneira sistemática e sumamente profissional os cofres públicos, gradativamente convenceu os parlamentares a abandonar a coalizão que sustentava a administração comandada pelo Partido dos Trabalhadores. Assim, uma avalanche de votos favoráveis ao impeachment manifestou-se às vésperas da votação final no domingo 17 de abril, dia em que o país ficou paralisado à espera do resultado final.(VGP)

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