Vírus Zika e seus misterios

Aedes aegypti
Aedes aegypti

A edição atual da importante revista Science News, magazine da Sociedade para a Ciência e o Público (Society for Science & the Publicwww.sciencenews.org/bolg/)  traz um artigo intitulado Five things to know about Zika (Cinco coisas a conhecer sobre o Zika) que busca, com base nas intensas discussões hoje relevantes na academia e na saúde pública mundial, responder a dúvidas centrais a respeito da epidemia. Este material foi disponibilizado para o site pelo epidemiólogo emérito Dr. Pedro Tauil, do Observatório da Saúde do Distrito Federal.

  • SIM, no caso de microcefalia o Zika surge como muito, muito culpado. NÃO, pesticidas e vacinas não causam microcefalia. No Brasil, mais casos de microcefalia têm surgido em locais com muitos casos de Zika. O vírus tem sido detectado no líquido amniótico, placenta e tecido cerebral de fetos com microcefalia. Ataca células específicas relacionadas ao desenvolvimento fetal. A infecção pelo Zika durante a gravidez está ligada a abortos espontâneos e a problemas placentários, além de outras condições neurológicas incluindo a rara doença autoimune – a Síndrome de Guillain-Barré.  As evidências relativas a outros suspeitos é menos comprometedora. Um informe do grupo argentino “Médicos contra a fumigação” colocou um texto na internet em fevereiro último defendendo que o larvicida pyriproxyfen e não o zika era o responsável por casos de microcefalia. Desde então a OMS tem realizado estudos sobre o uso generalizado de pesticidas (na agricultura) e não encontrou evidências de interferência química com a gravidez humana ou com o desenvolvimento. Rumores similares de que vacinas ou mosquitos geneticamente modificados no Brasil tenham causado microcefalia simplesmente carecem de evidências, disse a OMS.
  • SIM, você pode ter Zika a partir de sexo com uma pessoa infetada. Uma vez que o mosquito Aedes aegypti é o principal vetor para o Zika, pesquisadores suspeitaram que o Zika poderia ser transmitido sexualmente. Em 2008, um pesquisador norte-americano desenvolveu o Zica vírus após retornar de viagem de estudos ao Senegal e transmitiu o vírus à esposa na relação sexual, no primeiro caso documentado de transmissão por essa via. Desde então, outros casos emergiram nos EUA, Itália, França, Argentina, Chile e Nova Zelândia. Sabe-se que apenas os homens têm transmitido o vírus e se as mulheres também poderiam fazê-lo, isso é algo desconhecido.  Os estudiosos suspeitam que o vírus liga-se ao sêmen e não ao sangue (outra fonte de transmissão sendo investigada). Para prevenir que o Zika se espraie entre parceiros sexuais o CDC recomenda as precauções usuais.
  • NÃO, não existe vacina contra o Zika, mas se está trabalhando neste sentido. Vacinas contra outras viroses da mesma família como no caso de Febre Amarela não oferecem proteção contra o vírus Zika. A ideia de uma vacina que possa combater ao mesmo tempo o Dengue é muito atrativa.
  • Por vezes os sintomas do Zika são óbvios, mas em outras não é. Apenas 20% das pessoas com Zika de fato informam apresentar sintomas, com febre, exantema, dores musculares e nas articulações, olhos avermelhados. Em certos casos se assemelha à dengue ou chicungunya, resultando em diagnósticos imprecisos.
  • NÃO, mosquitos esterilizados não aumentam a difusão do Zika. De fato, ajudam a combatê-lo e muitos estudiosos consideram que são a melhor chance de controlá-lo. Esterilização por meio de radiação ou alterando-os geneticamente podem reduzir e teoricamente eliminar uma população de mosquitos. Enquanto isso, direcionadores genéticos como CRISP/Cas9 parecem capazes de tornar o método da esterilização mais fácil. Infectar mosquitos com a bactéria Wolbachia também reduz a população de mosquitos sugadores de sangue. Se tudo isso falha, El Salvador está tentando desenvolver peixes capazes de comer as larvas. Contudo, nenhum desses métodos tem sido capaz de verdadeiramente impedir a expansão do Zika.

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