Crise brasileira: repercussões internacionais – Insistentes pedidos pela renúncia (Boletim nº 28 de 04/4/2016)

Dizem que se saiu no New York Times é porque aconteceu ou vai acontecer. Neste domingo 3 de abril The NYT abriu sua edição com a manchete (em tradução livre): “Pessoas de dentro dizem como o suborno alimentou a crise política brasileira”.

Insider’s Account of How Graft Fed Brazil’s Political Crisis

By Simon Romero april 3, 2016

The senator’s accounts of colossal bribes, back-room oil deals and desperate cover-ups — pieced together from interviews, leaked intercepts of telephone conversations and court filings — offer a rare glimpse into how a leftist party that rose to power vowing to stamp out the corruption of a privileged political elite ended up embracing its predecessors’ practices. His testimony has accelerated Brazil’s political crisis, in which fearful rulers are masterminding power grabs, secretly recording each other and preparing for the day that they, too, might find themselves on the wrong side of an early-morning police raid.

“O senador (Delcídio do Amaral) é responsável por subornos colossais, acordos petrolíferos de bastidores e  desesperados esforços por encobri-los – construindo-os a partir de entrevistas, vazamento de conversações telefônicas e decisões judiciais – oferecendo um raro panorama de como um partido de esquerda que chegou ao poder prometendo eliminar a corrupção de uma elite política privilegiada, terminou assumindo as práticas de seus predecessores.

Seu testemunho acelerou a crise política brasileira, na qual terríveis dirigentes arquitetaram subornos poderosos, secretamente informando uns aos outros e preparando-se para o dia em que eles, também, se encontrassem no lado errado de uma madrugadora ofensiva policial.”

O longo texto redigido pelo correspondente do jornal no Brasil, pode ser lido no original em inglês em http://www.nytimes.com/2016/04/04/world/americas/insiders-account-of-how-graft-fed-brazils-political-crisis.html?_r=0.

Os títulos em destaque na matéria dizem bem de seu conteúdo: “Um ingênuo ator ludibria um senador – Escândalos de corrupção no Brasil percorrem todos os caminhos até o topo – Pânico no Partido dos Trabalhadores – O juiz e o ex-presidente (em relação a Moro e Lula) – O Brasil em seu Game of Thrones (referência à série de TV já em sua 6ª. temporada)”.

THE OBSERVER E A FOLHA SUGEREM A RENÚNCIA

The Observer, na edição dominical de 20/3 do tradicional jornal londrino The Guardian, fala na “renúncia de Dilma por risco de intervenção militar”.No texto refere que “a preocupação óbvia é que esses protestos – pró e contra o governo – se perderem o controle possam degenerar em violência generalizada, levando ao risco de intervenção militar.”

Engrossando o coro, a Folha de São Paulo de ontem (3 de abril de 2016) em um editorial intitulado “Nem Dilma nem Temer”, depois de muito tempo tentando manter uma posição de neutralidade ou pelo menos de não-agressividade, definiu-se:

“Esta Folha continuará empenhando-se em publicar um resumo equilibrado dos fatos e um espectro plural de opiniões, mas passa a se incluir entre os que preferem a renúncia à deposição institucional.”

A reação do Palácio do Planalto foi imediata, seja nas palavras de seu líder o pernambucano e ex-ministro da Saúde Humberto Costa de que a oposição, incapaz de derrubar a presidente, quer passar-lhe a responsabilidade da saída, seja no grito de Dilma: “Não renuncio!”.

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