BRASIL É GARANTIDOR DA PAZ COM ELN

Finalmente na última 4ª. feira (30/3/2016) parece ter sido iniciado, formalmente, um processo de encaminhamento da paz entre o governo colombiano e o Exército de Liberação Nacional, o ELN – guerrilha que atua há cinquenta anos no território do país vizinho e que resiste com um pequeno bloco de 1.700 homens armados, mas que se multiplicam graças aos apoiadores que os sustentam nas periferias urbanas.

Com a aproximação do final das conversações com as Farc – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – em Havana, os “helenistas” enfrentam crescentes dificuldades para manter-se sozinhos no campo de batalha, mesmo com a perspectiva de que muitos dos guerrilheiros das Farc ao invés de se converterem em cidadãos normais possam vir a ingressar em suas fileiras.

Com todos seus dirigentes vivendo há anos na Venezuela (e diversas unidades de combate), não foi surpresa de que a instalação da “Mesa de Negociações” ocorresse na sede da chancelaria venezuelana em Caracas, com a ministra de Relações Exteriores do governo Maduro, Delcy Rodrigues, recepcionando sorridente aos chefes das delegações até aqui inimigas: Frank Pearce representando o governo de Juan Manuel Santos e Antonio García pelo ELN.

Ficou acordado que as reuniões acontecerão também em Quito, Havana, Brasília e Havana. Os quatro países, mais a Noruega, funcionarão como garantidores do processo. O Brasil propusera-se a mediar um acordo de paz específico já em 2014, mas nada foi concretizado devido ao período eleitoral que reelegeu Dilma Rousseff. Agora, a chancelaria brasileira declarou-se satisfeita por ser novamente lembrada, dispondo-se a cumprir seu papel de ora em diante.

Sem dúvida as duas guerrilhas são distintas, bastando considerar que as Farc têm suas centrais de luta na selva e o ELN prefere mover-se em torno das cidades com significativo apoio entre os intelectuais (principalmente nas Universidades). De um lado os otimistas acreditam que agora será de fato possível uma paz definitiva na Colômbia, enquanto os pessimistas temem que a iniciativa atual terminará por complicar e prolongar ao infinito o acordo com as Farc, uma vez que o desentendimento entre ambas as facções também perdura pelos últimos 50 anos.

Dentre as razões que por fim conduziram os “elenistas” à mesa de potencial acordo de paz, destacam-se o acordo entre Cuba e Estados Unidos e os recentes tropeços da esquerda na Argentina, Bolívia, Brasil e de modo particular na Venezuela, o que poderia esgotar o decisivo suporte que o regime bolivariano de Caracas tem permanentemente dado à guerrilha, na prática viabilizando a ação do ELN em território colombiano.   (VGP)

Mesa de negiciação pela paz entre governo colombiano e ELN em Caracas (imagem AP/revista Semana, 3/3/2016)
Mesa de negiciação pela paz entre governo colombiano e ELN em Caracas (imagem AP/revista Semana, 3/3/2016)

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