Serviços de saúde na Síria em guerra

Para os médicos e as enfermeiras não há pior lugar para exercer a profissão do que na Síria atual, diz Sharmila Devi em artigo publicado na revista The Lancet desta semana (Syria’s health crisis. Volume 387, Nº 10023, 12/3/2016 – thelancet@lancet-alerts.elsevier.com).

O conflito, iniciado em março de 2011, já resultou em 30 mil mortos e em 11 milhões de refugiados e hoje o país está loteado entre as forças do governo de Al Assad, as brigadas do Estado Islâmico e da facção Jobhat al-Nusra da Al Qaeda, além de vários grupos rebeldes.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) tinha 60 unidades de saúde, mas agora lhe restam apenas 48, pois as outras foram destruídas. A situação piorou com os bombardeios de russos, americanos e franceses, aos quais se juntam o poder letal das armas químicas e, no dia a dia, a prática comum de tortura, rapto, estupro. Há carência aguda de alimentos, água e de serviços de saúde, uma vez que as remessas de ajuda humanitária são sistematicamente bloqueadas. Estima-se que pelo menos 4 milhões de sírios residam em áreas sem acesso à ajuda, isolados pela guerra.

No ano passado governos e organizações internacionais reunidos em Londres prometeram fundos da ordem de 10 bilhões de dólares para atender a necessidades básicas e urgentes da população síria, mas até agora só US$ 1,25 bilhão foi enviado.  Segundo os MSF a cada mês 30 mil pessoas necessitam de atenção médica. A esperança, pelo menos momentânea, está centrada no acordo de cessar fogo que está sendo implementado com apoio dos Estados Unidos e da Rússia, mas que não inclui os radicais islâmicos.

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